5 AÇÕES COM BONS DIVIDENDOS

PARA INVESTIR EM 2022

Estratégia é adotada por investidores que buscam conquistar a renda passiva; empresas do setor elétrico se destacam ao lado de companhias que extraem petróleo e minérios 

Introdução

Investidores que têm como objetivo alcançar a tão sonhada independência financeira – ou alcançar a renda passiva –  geralmente adotam a estratégia de investir em ações que pagam bons dividendos com visão de longo prazo.

De maneira geral, empresas consolidadas – conhecidas nacionalmente, antigas no mercado e bastante negociadas – são boas pagadoras de dividendos. Esse perfil de companhia é indicado pela XP como a porta de entrada para pequenos investidores ou iniciantes na Bolsa. 

Os dividendos são parcelas do lucro das empresas pagas aos seus acionistas. Em uma estratégia conservadora, os dividendos podem ser ótimos recursos para impulsionar o aumento do patrimônio.  

Neste material, separamos 5 empresas que devem pagar bons dividendos em 2022, de acordo com dados da XP. O setor elétrico se destaca ao lado de companhias que operam nos segmentos de óleo e gás e mineração são boas opções.

Boa leitura! 

Índice

O que são dividendos

Dividendos são parte dos lucros que empresas de capital aberto dividem com os acionistas, que recebem os valores de acordo com o volume do investimento. Os pagamentos ser feitos em ações ou dinheiro – com periodicidade mensal, trimestral, semestral ou anual. 

De maneira geral, empresas que estão mais estabelecidas no mercado conseguem distribuir mais dividendos entre seus acionistas. Não é por acaso: elas estão mais focadas no lucro do que no crescimento. Assim, passam a investir menos em projetos de expansão e pesquisa, por exemplo, e assim têm mais recursos para dividir com o investidor.

Dividendos passaram a ser uma ótima opção para investidores que têm objetivo de viver de renda, de acordo com a XP. Como quem investe em uma ação adquire parte da empresa, uma das premissas que deve nortear a escolha do ativo com objetivo de longo prazo é o potencial de crescimento. Afinal, caso o negócio cresça, o lucro do investidor também aumenta.

Como avaliar as empresas no quesito ‘dividendos’

Uma empresa boa pagadora de dividendos precisa ser capaz de gerar bons fluxos de caixa (valores recolhidos e gastos por durante um período de tempo definido). Esse montante deve ser maior que a necessidade de reinvestimento no negócio. Dessa maneira, sobra mais espaço para o pagamento de dividendos sem prejudicar a saúde financeira da companhia.

Em geral, empresas consolidadas, com grau de competitividade elevado, são boas pagadoras de proventos. Analistas aconselham que, dentro desse perfil, os investidores deem preferência para companhias menos afetadas pelos ciclos econômicos.

Vale destacar que as empresas têm o poder de alterar as suas políticas de distribuição de dividendos seja de forma pontual ou permanente. Por isso, ao montar uma carteira dedicada aos proventos, o investidor deve acompanhar periodicamente os comunicados ao mercado das empresas.

Tipos de remuneração

Há diferentes tipos de remuneração ao acionista. Listamos as principais:

• Dividendos: por lei, as empresas devem repassar no mínimo 25% de seus lucros aos acionistas. Ao divulgar o lucro, a empresa anuncia o percentual que será pago. Essa distribuição pode ser feita com periodicidade mensal, trimestral, semestral ou anual. Geralmente, essas regras estão no estatuto das companhias.

• Juros Sobre Capital Próprio (JCP): a diferença entre o JCP e um dividendo comum é que ele é tributado em 15%, enquanto dividendos são isentos de impostos para a pessoa física.

• Bonificação: ocorre no momento em que um valor extraordinário é pago aos acionistas – um bônus. Trata-se de pagamentos que ocorrem na forma de ações, e são proporcionais ao número de papéis que o investidor possui. 

• Dividendo especial extraordinário: distribuído com base em acontecimentos inesperados, como a venda de algum ativo que fez aumentar o caixa da empresa.

O que é Dividend Yield?

Dividend yield ­(DY) é um dos principais indicadores que permitem ao investidor mensurar o pagamento de dividendos. Trata-se de um percentual que mostra a rentabilidade dos proventos de uma determinada empresa em relação ao preço de suas ações.

O dividend yield permite que o investidor compare o rendimento com dividendos de um papel em relação aos outros. Os analistas projetam o percentual de DY em relatórios. 

Além do DY, o investidor deve avaliar a recorrência das distribuições. Na prática, companhias que são mais previsíveis no pagamento de proventos facilitam o planejamento de quem deseja “viver de renda”.

Cálculo do Dividend Yield: analistas dividem o valor da ação pela cotação atual dessa ação pelo valor dos dividendos anuais pagos pelas companhias. Embora esses números geralmente estejam presentes em relatórios, é importante sempre contar com um profissional no momento de decidir em quais empresas investir. 

No caso do Dividend Yield, por exemplo, pode haver detalhes nos informativos financeiros que afetam a interpretação do número. O apoio profissional é imprescindível para investidores de perfil conservador, que devem entender nos detalhes a exposição de risco que está disposto a aceitar para operar na Bolsa. 

A seguir, o leitor pode conferir esse indicador e os detalhes das empresas que se destacam no quesito “pagamento de dividendos”, de acordo com análise da XP.

Boas pagadoras de dividendos

Os analistas da XP desenham um pódio onde agrupam três papéis “campeões” no quesito pagamento de dividendos. Essa seleção é feita de acordo com os critérios como consistência histórica, baixa alavancagem, Dividend Yield interessante, elevado retorno total e perspectivas de valorização do papel. 

A seguir, listamos os detalhes das empresas e avaliações, de acordo com relatório assinado por Herbert Suede e Maíra Maldonado, analistas de Utilities da XP.

MEDALHA DE OURO – COPEL (CPLE6)

Dividend Yield (2022): 6,2%

Preço-alvo: R$ 8,50

Preço atual:  R$ 7,59 (14/04)

Controlada pelo Governo do estado do Paraná, a companhia tem como principais negócios a distribuição, geração e transmissão de energia. Hoje, seus clientes somam 4,6 milhões de consumidores em quase 400 municípios. A empresa também atua no segmento de telecomunicações e tem participação na Compagas, focada na  distribuição de gás natural.

Durante o ano passado, a Copel fez avanços significativos em sua política de remuneração ao aplicar métricas de performance, aprimorar a governança e ajustar o foco em desinvestimentos na Copel Telecom. “A companhia possui uma clara política de distribuição de lucros que tem sido consistentemente aplicada. Temos uma visão positiva tanto do ponto de vista de valorização das ações como de distribuição de proventos”, aponta Suede. 

Política de dividendos: a política de distribuição de proventos da Copel tem como base a alavancagem (dívida líquida dividida pelo EBITDA) da companhia no momento da distribuição. Se esse indicador for inferior a 1,5 vezes, o percentual do lucro distribuído é de 65%. Caso a alavancagem fique no intervalo entre 1,5x e 2,7x, o percentual de lucro distribuído é de 50%. No caso do indicador ficar 2,7 vezes o EBITDA, serão distribuídos 25% no lucro líquido. A companhia considera a possibilidade de distribuições extraordinárias desde que aprovado em assembleia e tenha o aval do Conselho Fiscal em situações excepcionais.

MEDALHA DE PRATA – Engie (EGIE3)

Dividend Yield (2022): 9,2% 

Preço-alvo: R$ 49,00

Preço atual: R$ 44,07  (14/04)

Antiga Tractebel Energia, a Engie Brasil Energia (EGIE3) é uma das maiores geradoras privadas de energia do País. Com 55 usinas geradoras, tem capacidade instalada de 8.276 MW. Isso representa cerca de 6% da capacidade do País, com 90% da energia proveniente de fontes renováveis. Hoje, a companhia é composta por 11 usinas hidrelétricas, 3 termelétricas, 3 complexos eólicas, 3 usinas a biomassa, 2 pequenas centrais hidrelétricas e 2 usinas solares.

A Engie também opera uma malha de transporte de gás natural que tem 4.500 km e atravessa 10 estados. Como atua nos segmentos de geração, transmissão e transporte de gás, a companhia tem a sua receita diversificada, com contratos “razoavelmente regulados e previsíveis”, aponta a XP. 

Política de dividendos: estabelece uma distribuição de 30% do lucro líquido semestralmente. Além disso, há disposição para pagamentos de dividendos extraordinários e juros sobre capital próprio. Na avaliação da XP, a companhia deve entregar retorno atrativo tanto para a valorização da ação quanto para o pagamento de dividendos. 

MEDALHA DE BRONZE – AES BRASIL (AESB3)

Dividend Yield (2022): 2,9%

Preço-alvo: R$ 15,00

Preço atual R$ 11,30 (14/04)

Antiga AES Tiête, a AES Brasil (AESB3) é uma geradora de energia elétrica que conta com uma capacidade instalada total de 3.343 MW, sendo a maior parte no segmento hídrico. Há plantas em desenvolvimento que irão incrementar a produção com fontes de geração eólica e solar. Após a finalização dos projetos, o portfólio da Companhia contará com 3.936 MW de capacidade instalada.

De acordo com análise da XP, a AES Brasil tem histórico de apresentar lucros consistentes, que podem ficar voláteis ao refletir a  incidência de chuvas – uma vez que a maior parte da geração é no segmento hídrico. “2021 foi um ano desafiador considerando o cenário hidrológico, mas acreditamos que o avanço físico das obras e a consequente geração de caixa levará a uma menor alavancagem e maior potencial de pagamento de dividendos”, aponta a XP. 

Política de dividendos: embora a regra aponte para dividendo mínimo de 25% do lucro líquido definido no Estatuto, a AES estabelece pagamento mínimo obrigatório de 50%. Esse percentual pode ser acrescido de distribuições extraordinárias a até 100%. Os dividendos são declarados em bases semestrais, enquanto os juros sobre capital próprio são declarados em bases anuais. 

Um olhar para além do setor de energia

Para além do setor de energia, outras importantes companhias também se destacam quando o assunto é distribuição de dividendos. É o caso de duas empresas com maior participação no Ibovespa: Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4). 

No ano passado, as empresas conquistaram o lugar de maiores pagadoras de dividendos da Bolsa brasileira ao distribuírem aos acionistas um valor maior que todas as outras empresas listadas juntas, conforme dados da Economatica, empresa de informações financeiras. 

Juntas, as companhias distribuíram R$ 146,01 bilhões em proventos no ano passado, enquanto as 226 empresas restantes listadas e contabilizadas no estudo somam R$ 145,2 bilhões em pagamentos de dividendos e JCP (Juros sobre Capital Próprio).

Petrobras (PETR3 e PETR4)

Dividend Yield (2022): 22,60%

Preço-alvo: R$ 45,30

Preço atual: R$ 34,75  (14/04)

Fundada em 1954, a Petrobras é uma das maiores produtoras de óleo e gás do mundo, que tem como atividade principal a exploração, produção, refino e geração de energia. Além de ser responsável pela produção de petróleo e gás do Brasil, a companhia detém ativos em 16 países. 

Hoje, a Petrobras explora cerca de 280 poços e tem 29 plataformas marítimas em operação (pós-sal e pré-sal), sendo líder mundial na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas.

Na avaliação de Fernando Ferreira, estrategista-chefe e Head do Research da XP, caso a companhia siga operando como nos últimos anos, a expectativa é que apresente dividend yield de cerca de 25%. Como comparação, as empresas russas entregam um percentual médio de 14,3% aos acionistas, enquanto as principais companhias ocidentais do setor têm dividend yield médio de 5,1%. 

Analistas destacam como pontos positivos da empresa a alta qualidade dos ativos do pré-sal e dividendos robustos. Por outro lado, eles apontam grande potencial de volatilidade para o papel em 2022 como reflexo da aproximação das eleições presidenciais. 

Vale (VALE3)

Dividend Yield (2022): 5,84%

Preço-alvo: R$ 97,00 

Preço atual: R$ 92,09  (14/04)

A Vale é uma das maiores mineradoras do mundo com atuação nos setores de mineração, logística, energia e siderurgia. Foi criada como estatal em 1942, durante o governo de Getúlio Vargas, para exploração de ferro em Itabira (MG). Hoje, a companhia comercializa minério de ferro, pelotas, manganês e níquel – todas as  principais matérias-primas para a produção de aço, entre outros minérios. Sediada no Brasil, a Vale possui operações em mais 30 países. 

No setor de logística, a Vale administra uma rede que integra minas, ferrovias, navios e portos. Além do transporte das suas cargas, a companhia presta serviços para terceiros – possui duas linhas de trem de passageiros no Brasil, na Estrada de Ferro Vitória a Minas e na Estrada de Ferro Carajás.

Nos últimos anos, a Vale foi a companhia que mais distribuiu dividendos no primeiro trimestre. Nesse período de 2022 não foi diferente: a Vale liderou as distribuições entre as empresas de capital aberto de janeiro a março: os proventos somaram R$ 21,86 bilhões, o que significa R$ 4,26 por ação.

Thales Carmo, Analista de Mineração & Siderurgia e Papel & Celulose da XP, recomenda compra do papel, com preço-alvo de R$97/ação para o final de 2022. “A retomada da produção pode levar a Vale a um nível normalizado de 380 milhões de toneladas por ano em 2024”, aponta Carmo, em relatório. “Apesar da forte queda dos preços do minério de ferro, ainda acreditamos que a Vale seja uma forte geradora de caixa”, complementa. 

De acordo com a sua análise, os principais riscos associados à Vale estão relacionados à recuperação da demanda na China, maior cliente da mineradora.

Investimento internacional

O mercado financeiro dos Estados Unidos oferece uma opção similar aos nossos fundos imobiliários: são os REITs, ou Real Estate Investment Trust. É uma opção que pode ser acessada por brasileiros também. A estratégia de diversificação da carteira tem alto interesse dos investidores, e nossa plataforma oferece um e-book dedicado ao mercado imobiliário americano.

* DISCLAIMER

Este e-book tem como objetivo único informar os investidores sobre temas relacionados ao mercado financeiro. Com a iniciativa, a SVN visa contribuir com a educação financeira e facilitar o acesso à informação. As publicações devem ser compreendidas como material de educação e consulta, e não como recomendação de investimento.

Texto e edição: Priscilla Arroyo

Diagramação: Gabriela França

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