Onde investir em 2022?

UM GUIA PARA O INVESTIDOR DE PERFIL ARROJADO

Introdução

A disparada da inflação segue no radar do mercado, uma vez que o IPCA acumula alta de 11,30% nos últimos 12 meses. Diante do conflito no leste europeu, que eleva o preço das matérias-primas no mercado internacional, a expectativa é que a pressão inflacionária siga forte nos próximos meses não só no Brasil, como no mundo. 

Abril começa com expectativa de que as conversas de paz entre Rússia e Ucrânia, intermediadas especialmente pela Turquia, contribuam para a solução da situação ao longo do mês.

Quando olhamos para o retrovisor, se destaca o aumento da taxa de juros nos EUA anunciado em março para conter a inflação por lá. A taxa passou do intervalo de 0%-0,25% para 0,25%-0,5% (na prática, uma elevação de 25bps dos juros), algo que foi bem aceito pelo mercado. 

No Brasil, temos um cenário peculiar: de um lado, a entrada de capital estrangeiro segue forte como reflexo dos altos níveis de preços de commodities (grãos e petróleo) e menor peso no custo de energia elétrica. No entanto, observamos grande pressão inflacionária nos combustíveis e fretes derivada do choque de petróleo no mundo. 

Para controlar o avanço nos preços, o Banco Central promoveu uma nova alta na taxa básica de juros em março, o que elevou a Selic para 11,75% ao ano. A autoridade monetária sinalizou que, caso o preço do petróleo siga em alta, haverá espaço para mais altas, o que poderia elevar a Selic a 13,25%. Vale destacar que essa previsibilidade trouxe certa segurança ao mercado brasileiro. 

No entanto, os investidores mantém importante nível de incerteza, que deve se acentuar ainda mais nos próximos meses diante da proximidade das eleições. 

É natural que, ao avaliar o atual momento do mercado, os investidores se perguntem quais ativos devem priorizar na carteira – ao menos para a primeira metade do ano. A boa notícia é que existem opções interessantes que se beneficiam da alta da inflação e dos juros. 

Ao tratar de investimentos, deve-se ter em mente a existência de diferentes perfis de investidor. Este material é dedicado aos investidores de perfil arrojado – que aceita maior exposição ao risco em busca de rentabilidade. A seguir, confira mais detalhes sobre o cenário e sugestões de carteiras para 2022. Com informações da SVN, XP e Levante Corp.

Boa leitura!

Índice

Investidores de perfil arrojado

Antes de realizar o primeiro investimento, cada pessoa precisa conhecer seu perfil de investidor. Para chegar a essa resposta, é preenchido um teste chamado Suitability que avalia a tolerância ao risco.

Existem três tipos principais de perfil: conservador, moderado e arrojado. Investidores de perfil arrojado – também chamado de agressivo – são os que possuem maior tolerância a risco. Para eles, momentos de perdas fazem parte da estratégia que tem como objetivo buscar retornos robustos. 

Investidores arrojados costumam uma reserva de emergência em investimentos conservadores com boa liquidez – facilidade em resgatar rapidamente o dinheiro aplicado – além de grande patrimônio. Na prática, isso significa fôlego para lidar com perdas.

Os arrojados geralmente têm conhecimento e experiência sobre o mercado, o que facilita encarar os riscos de maneira estratégica. Outra característica desse perfil é o preparo emocional para conviver com a volatilidade – o sobe e desde dos ativos.

Onde Investir - Carteira de fevereiro

Cenário

O perfil arrojado costuma ser relacionado a investimentos em renda variável, porém, no atual cenário, a diversificação entre classes de ativos é maior. Em janeiro, tanto a XP quanto a Levante recomendam parcelas significativas de renda fixa e renda variável para investidores arrojados. Confira as porcentagens da carteira sugerida pelo time da Levante Corp: 

Carteira arrojada| Abril 2022

Fonte: Levante Corp

Renda Fixa

Um dos principais destaques do cenário de Renda Fixa é o ciclo de elevação da taxa básica de juros promovida pelo Banco Central. Em março, a autoridade monetária elevou a Selic para 11,75% ao ano. O aperto monetário tem como meta segurar a alta dos preços – o IPCA, índice que mede a inflação oficial do País – acumula alta de 11,30% nos últimos 12 meses. A mudança tem impacto direto nos ativos do segmento.

Principais indicadores da renda fixa:

SELIC

11,75%

Selic: Taxa básica de juros, que é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

mar/22

IPCA

11,30%

IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medidor oficial de inflação do Brasil.


mar/22

CDI

0,92%

CDI - Taxa de juros baseada em empréstimos que bancos realizam uns aos outros e que costuma seguir a Selic.

mar/22

O time da XP acredita que títulos atrelados à Selic devem aproveitar bem o aumento da taxa básica de juros previsto para os próximos meses – economistas consultados pelo Banco Central apontam Selic em 13% no fim de 2022 (no boletim de 25 de março).  

O cenário coloca os títulos públicos atrelados à Selic e ao IPCA como opções interessantes para quem procura investimentos com prazos mais longos e quer garantir que seus rendimentos fiquem acima da inflação.

Investimentos em renda fixa

Tesouro Direto – é formado por títulos públicos emitidos pelo Governo Federal – o investidor empresta dinheiro para o governo e recebe juros de remuneração pelo empréstimo. Esses títulos oferecem rentabilidade superior à poupança e são tão seguros quanto, pois têm risco soberano. Isso porque o investidor só perde o dinheiro caso o País entre em falência. 

As três modalidades do Tesouro Direto são:

  • prefixados – Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado, com Juros Semestrais; 
  • pós-fixados – Tesouro Selic; 
  • híbridos, atrelados com a inflação – Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+, com Juros Semestrais.
 
Recomendação da Levante: 
 
NTN-Bs/LTN – “Continuamos acreditando que a parte intermediária da curva tem embutido prêmio vantajoso em relação aos vértices mais longos, de modo que a curva tem apresentado feitio disfuncional. O risco de se manter aplicado no pré no trecho curto parece desfavorável, em especial por conta da dinâmica de inflação de curto prazo, que tem surpreendido. A parte longa deverá sofrer inclinação adicional com as renúncias fiscais feitas pelo governo, agravando a percepção sobre sustentabilidade da trajetória da dívida no médio prazo. 
 
 
 

Renda variável

Projeção de retorno: Início de 2022

Fonte: XP Investimentos*

Ibovespa

O Ibovespa terminou março com avanço de 6,07%, aos 120 mil pontos. No ano, o principal índice da Bolsa avançava 14,4% na primeira semana de abril.  

Os analistas da XP preveem que, para o final de 2022, o Ibovespa pode chegar aos 130 mil pontos. A percepção de especialistas é que a volatilidade deve prevalecer ao longo dos próximos meses em meio às incertezas que antecedem as eleições em outubro e o conflito no leste europeu. 

 

Opções de investimento em renda variável:

 

 

-Ações

No mercado de ações, o investidor adquire parte do capital social de uma empresa, e tem o direito de participar de seus resultados. A rentabilidade é obtida de duas formas: pela valorização dos papéis – vender por um preço mais alto que o valor de compra; e pela distribuição de proventos, como os dividendo. 

Dica da Levante para fevereiro: Assaí (ASAI3)

Como rede de atacado de autosserviço, a companhia encerrou mais um trimestre com crescimento acelerado, ganhos de rentabilidade e geração de caixa, apesar do cenário desafiador e forte base de comparação. 

Pontos positivos: a companhia iniciou a operação no e-commerce e tem ampliado rapidamente sua base de lojas. Há, ainda, espaço para expansão, estratégia que deve ser favorecida com a conversão das 71 lojas do Extra Hiper na esteira da sinergia. 

 

-Fundos de ações

Quando os investidores pensam em fazer os primeiros aportes na Bolsa, precisam escolher em qual companhia investir. Hoje, existem mais de 400 empresas listadas na B3. Uma opção é adquirir cotas de fundos de ações, e contar com a experiência dos gestores nessa escolha. 

Fundos de ações também são uma estratégia para investir em renda variável de forma conservadora. Os especialistas da XP acreditam na capacidade dos gestores de gerar retornos excedentes, mesmo com o cenário complicado à frente. “Muitos conseguem ter performance melhor que a média do mercado, principalmente em cenário de queda do Ibovespa”. Outra vantagem é já ter a diversificação garantida, afinal, os fundos investem em várias empresas.

Um dos destaques na renda variável – reiterado por analistas da XP – são os fundos de ações, em especial os long biased, com estratégias para obter ganhos tanto em momentos de alta quanto de baixa.

 

-Multimercados

A renda variável se refere a diversos tipos de investimentos. Essa característica é explorada pelos fundos multimercado, que exibem portfólios com  diferentes classes de ativos, inclusive de renda fixa. O funcionamento é o mesmo de outros fundos – investimento coletivo dividido em cotas que ganham ou perdem valor de acordo com o desempenho da carteira gerida por um profissional.

A vantagem dos multimercados, está na facilidade de diversificar os investimentos. Sendo assim, o investidor pode diminuir o risco da carteira ao investir em ativos variados. 

FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários) 

Funcionam como uma espécie de condomínio financeiro, pois os investidores adquirem cotas – partes do imóvel – por meio de um fundo. Tanto a escolha dos ativos, como a administração do patrimônio, ficam sob a responsabilidade de um gestor. Os FIIs são classificados em três grupos: Tijolos, Papel e Híbridos.

  • fundos de tijolo: investem em imóveis físicos, como shoppings e lajes corporativas;
  • fundos de papel: investem em títulos ligados ao mercado imobiliário;
  • fundos de fundos: adquirem cotas de outros fundos imobiliários.

Os fundos de tijolo têm demonstrado potencial para bons resultados, enquanto os de papel costumam investir em ativos com retornos atrelados ao IPCA ou ao CDI – por tanto, se colocam como opções interessantes devido às altas dos índices.

A Levante recomenda entrada no XP Malls Fundo de Investimento Imobiliário (XPML11), fundo que tem como foco de atuação a compra de participação em shopping centers. “Vemos a gestão do Fundo como muito competente, e os ativos que compõem seu portfólio são de extrema qualidade e muito bem localizados- a maior parte fica na região metropolitana de São Paulo”

 

Dica do Assessor

Uma das principais vantagens de contar com assessoria de investimentos é ter ajuda profissional para entender como compor a carteira. Assessor da SVN Investimentos, Carlos Glinka explica que as recomendações para o perfil moderado visam ganhos acima da média ou a alocação de recursos no longo prazo.

O portfólio indicado por ele (gráfico abaixo) busca o equilíbrio entre diversos setores e dinâmicas de rentabilidade. A exposição a ativos de alto risco visa o retorno no longo prazo. Glinka concorda que a renda fixa oferece retornos muito bons no momento e dedica cerca de ¼ da carteira a essa classe de ativos – apesar do foco no perfil arrojado. A escolha dos investimentos também equilibra oportunidades na Bolsa brasileira, exposição à renda variável internacional e o equilíbrio dos fundos multimercado em um momento de instabilidade.

Carteira arrojada -Abril 2022

Fonte: Carlos Ginka

Investimentos Internacionais

Diversificar a carteira com investimentos no exterior é interessante para ter parte dos ativos ligados a uma moeda mais forte. Dessa maneira, o investidor pode se proteger dos riscos locais diante do cenário de incertezas.

Como o momento econômico se mostra mais favorável a economias desenvolvidas, ao contar com ativos desses mercados, o investidor garante equilíbrio. Se as aplicações nacionais apresentarem resultado negativo, as estrangeiras, em alta, podem manter o resultado geral da carteira com uma queda menos intensa – ou até mesmo em patamar positivo.

Exchange Traded Funds (ETFs) – são fundos que fazem aportes em um índice de ações, e as suas cotas são negociadas na Bolsa de Valores. O ETF permite a diversificação de recursos, e é considerado um dos veículos preferidos para acessar ativos internacionais.

Eles podem ser comprados e vendidos como ações na Bolsa Brasileira (B3). O desempenho oscila de acordo com a performance dos papéis negociados e da oferta e procura das cotas no mercado. Como índice de referência do ETF, admite-se qualquer índice de ações reconhecido pela CVM.

O ETF também permite a diversificação de recursos, sem a necessidade de enviar dinheiro para o exterior e pagar o valor do câmbio. As operações, são tributadas em 15% sobre o Imposto de Renda (IR), sendo necessário pagar taxa de corretagem sobre a compra e a venda dos ativos.

Com o avanço no preço das commodities – como reflexo no conflito entre Rússia e Ucrânia – ETFs ligados às matérias-primas e ao ouro se destacam em março.  

 

1- It Now IMAT Fundo de Índice (MATB11)

Replica a performance do Índice de Materiais Básicos (IMAT), que tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior  representatividade do setor de materiais básicos.

A carteira do IMAT é composta por ações de empresas de segmentos diversos, como fabricantes de papel, mineradoras, siderúrgicas. Os ativos precisam estar entre os 99% mais negociados da B3. 

O produto pode ser acessado por investidores em geral, que estejam habilitados para adquirir cotas do Fundo. A SVN recomenda um bate-papo com um assessor de investimentos para tirar dúvidas sobre o produto e mensurar os riscos. 

Em fevereiro, o IMAT tinha 17 papéis na carteira, como Braskem (BRKM5), Guerdau (GGBR4) e Vale (VALE3). Ao adquirir o ETF, o investidor está investindo em todas essas empresas – o que eleva a diversificação. 

 

2- Trend ETF LBMA Ouro (GOLD11)

Primeiro ETF de ouro do Brasil, o GOLD11 foi lançado em janeiro de 2020. O fundo investe em cotas de um ETF do exterior, o iShares Gold Trust (IAU), da BlackRock, listado na bolsa americana NYSE (New York Stock Exchange). 

Negociado na B3, o investidor tem algumas vantagens ao adquiri-lo: como liquidez e diversificação – pois com uma única transação, o ETF proporciona o investimento em diversos ativos. 

A composição do IAU é feita com negociações no próprio mercado de ouro, uma vez que o fundo funciona como um intermediário entre o investidor e o mercado de ouro. 

 

 

 

Investir em criptoativos por meio de ETFs

É possível investir em Criptoativos por meio de fundos de índice.

O Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Indice (HASH11), por exemplo, acessa o mercado de criptos – com boa parte da exposição em Bitcoin. “Adicionamos esse ativo no portfólio arrojado como um call de diversificação e gestão de risco”, aponta a Levante, em relatório. 

 

Por que investir com hedge? 

Hedge é uma estratégia que visa proteger determinado ativo ou carteira de investimentos. Fundos de investimentos internacionais podem realizar uma proteção cambial ou não – a depender da estratégia. Quando feita, ela não deixa a carteira exposta à variação da cotação do real (ou de uma moeda estrangeira).

 

Assessoria de Investimentos

3 razões para investir com a assessoria de um escritório (e não dos bancos)

O assessor da SVN Henrique Estela dá um bom exemplo: quando uma pessoa tem problema no coração, ela procura um cardiologista, não um clínico geral, afinal, necessita do especialista. 

No segmento financeiro, a regra é a mesma: gerentes de bancos, como “clínicos gerais”, exercem um trabalho mais generalista – têm diferentes atribuições e lidam com um número grande de clientes. A maioria dos correntistas não sabe sequer o nome do atual gerente da sua conta.

1 – Os assessores são especializados em investimentos, e estão dispostos a buscar a melhor opção de acordo com os objetivos e o perfil de cada cliente.

2 – Esse trabalho personalizado gera um relacionamento entre as duas partes. O investidor conta com a parceria de alguém que entende seu perfil, planos e necessidades. Além disso, os assessores têm acesso a um cardápio extenso de produtos por meio das plataformas de investimentos, que reúnem desde títulos de empresas até fundos de investimento de todas as categorias.

3 – Na SVN, por exemplo, os profissionais operam por meio de uma plataforma da XP, que une aplicações de diversas instituições: “A gente consegue oferecer produtos de mais de 100 bancos diferentes, mais de 400 fundos de investimentos e a Bolsa de Valores”, explica Estela.

Vale lembrar que os profissionais também são entusiastas da educação financeira, tema que permeia sempre as conversas com clientes. 

Então, em resumo, ao optar pela assessoria de investimentos, é possível contar com três benefícios principais:

  • Rendimentos melhores com a mesma segurança do banco;
  • Atendimento personalizado;
  • Educação financeira.

Conheça a SVN

A SVN, abreviação de ‘seven’ – número que simboliza a perfeição – foi fundada em 2007 em Maringá (PR) e, logo depois, adquirida por Felipe Bernardes. À época, ele tinha como objetivo compartilhar o conhecimento adquirido em investimentos de maneira inovadora.

No entanto, foi em 2012, após uma viagem aos Estados Unidos, que a SVN passou por uma transformação. Ao conhecer a profissão financial advisor, Bernardes trouxe a figura para o próprio negócio.

Para atender a demanda de todos os perfis de clientes, a SVN formou a primeira equipe de assessores de investimentos e passou a cobrir todas as principais operações de Renda Variável – além de incluir a Renda Fixa em seu cardápio -, com o respaldo de ofertar os produtos da plataforma da XP.

A empresa se dedicou a edificar a expansão do negócio sobre um pilar: a excelência no atendimento personalizado. Em 2017, a SVN entrou no seleto grupo dos 20 maiores escritórios parceiros da XP. Um ano depois, já com a filial em São Paulo, alcançou a marca de R$ 1 bilhão em patrimônio assessorado.

Clientes satisfeitos geram cada vez mais indicações, o que impulsionou o crescimento do negócio. Ao inaugurar o escritório de Londrina (PR), Bernardes expandiu o programa de partnership ao trazer ao time alguns dos melhores profissionais do mercado financeiro. Em 2020, ano da inauguração da filial de Curitiba, a SVN já respondia pela assessoria de R$ 6 bilhões. E conquista cada vez mais espaço no mercado. Em 2021, com quase R$ 10 bilhões em capital assessorado, a equipe inaugurou novos escritórios em Goiânia (GO), Cascavel, Foz do Iguaçu (PR), Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS).

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