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UM GUIA PARA O INVESTIDOR DE PERFIL CONSERVADOR
MONTAR UMA CARTEIRA DE R$ 200 MIL
Abril começa com a atenção dos investidores ainda voltada para o conflito entre Rússia e Ucrânia. Em meio a conversas de paz intermediadas especialmente pela Turquia, a expectativa é que a situação seja solucionada ao longo do mês.
O conflito no leste europeu segue contribuindo para a elevação do preço das matérias-primas no mercado internacional, o que reafirma a expectativa de maior pressão inflacionária no Brasil e no mundo.
É natural que, ao avaliar o momento do mercado, os investidores se perguntem quais ativos devem priorizar na carteira – ao menos para a primeira metade do ano. A boa notícia é que existem opções interessantes na renda fixa. Aqui, o investidor encontra uma simulação do retorno de aportes de R$ 200 mil em ativos sugeridos para uma carteira conservadora – que prioriza escolhas de baixo risco como estratégia para proteger o patrimônio.
As informações a seguir são baseadas em relatórios elaborados pelo time de especialistas da SVN, XP e Levante Corp
Boa leitura!

Antes de realizar o primeiro investimento, cada pessoa precisa conhecer seu perfil de investidor. Para chegar a essa resposta, é preenchido um teste chamado Suitability que avalia a tolerância ao risco.
Existem três tipos principais de perfil: conservador, moderado e arrojado ou agressivo. A classificação é uma exigência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), autarquia responsável por organizar o mercado financeiro.
Conservadores são o grupo com maior aversão a risco – trocam a possibilidade de retornos mais altos por segurança. Pode ser alguém mais velho e preocupado em manter o que acumulou ao longo da vida, ou um jovem com pouco conhecimento e receio de arriscar. De qualquer forma, toda pessoa que se enquadra na categoria “conservadora” tem como prioridade preservar seu patrimônio.
Os produtos mais recomendados para esses investidores estão no grupo da renda fixa: Tesouro Direto e debêntures, por exemplo. São ativos que costumam oferecer rentabilidade atrelada a algum índice.
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Selic: Taxa básica de juros, que é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
mar/22
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IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medidor oficial de inflação do Brasil.
mar/22
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CDI - Taxa de juros baseada em empréstimos que bancos realizam uns aos outros e que costuma seguir a Selic.
mar/22
O gráfico anterior mostra a rentabilidade básica dos principais indicadores/segmentos da renda fixa. Mas, na prática, vamos acompanhar como isso poderia se traduzir em cifras..
Vamos considerar que os produtos que formam um portfólio conservador têm rentabilidade média de CDI (4,88%) + 2% ao ano. Em um cálculo aproximado, isso daria 7% ao ano – ou 0,56% ao mês.
Então, de acordo com essa simulação teórica, se o investidor conservador aportar R$ 200 mil hoje, poderá considerar ter em:
A conta feita por Henrique Estela, assessor da SVN, é teórica. O retorno de uma carteira conservadora pode ser maior ou menor do que os valores apontados acima, de acordo com os produtos do portfólio e as variações no cenário político e econômico. Para montar uma carteira assertiva, o investidor pode sempre com a ajuda de um assessor.
Replicamos os valores da simulação na carteira conservadora sugerida pela equipe da Levante Corp. Trata-se de uma estratégia que tem como objetivo capturar oportunidades de ganhos com baixa exposição ao risco.
Os produtos do Tesouro Direto são títulos públicos emitidos pelo Governo Federal. Ou seja, é uma forma de o investidor emprestar dinheiro ao governo e receber juros como remuneração. Por serem públicos, os ativos oferecem um dos níveis mais altos em segurança para investimentos: semelhante à poupança, porém, com rendimentos maiores. Basicamente, o risco envolvido é o País quebrar – uma possibilidade remota.
Existem três tipos diferentes de títulos no Tesouro Direto: prefixado, pós-fixado e híbrido. O prefixado oferece uma taxa de juros fixa, já determinada no momento do investimento. Dessa forma, desde o início da aplicação as pessoas sabem qual será o retorno.
Por outro lado, os pós-fixados oferecem remuneração ligada a algum indicador da economia, como a taxa Selic ou o IPCA. Os híbridos mesclam as duas modalidades e oferecem um retorno predeterminado mais a variação de um índice de referência.
Para o time de especialistas da XP, os pós-fixados serão capazes de oferecer baixa volatilidade em um ano de inúmeras incertezas. Já em relação aos prefixados: “Prazos entre 2 e 3 anos trazem maior segurança do que horizontes mais longos, mas carregando bons retornos”.
Uma das vantagens de contar com a ajuda do assessor de investimentos é entender as diversas opções para montar uma carteira. Vamos considerar a carteira apresentada acima, que indica 75% do investimento em renda fixa. A pergunta que fica é: onde investir dentro da renda fixa?
Carlos Glinka, assessor de investimentos da SVN, indicaria que a maior parte da exposição deve estar em ativos pós-fixados, capazes de oferecer baixa volatilidade em um ano de inúmeras incertezas.
Jhonny Oliveira, assessor de investimentos da SVN, complementa que diante das incertezas na política e na economia, é mais certeiro dar preferência para os aportes que possam ser resgatados no período mínimo de um ano. “É mais prudente considerar o médio prazo em período de eleição”, diz.
“Em um perfil conservador, a gente sempre busca concentrar a maior parte em pós-fixado, que vai acompanhar a dinâmica da Selic e do CDI”, explica Oliveira. Vale destacar que a Selic está em 11,75% o patamar mais alto dos últimos quatro anos e meio.
Oliveira destaca que títulos atrelados à inflação devem ter menos espaço na carteira. “Afinal, o rendimento cai à medida que os juros sobem”, diz.
Em relação aos prefixados, Oliveira afirma que, embora inicialmente as rentabilidades podem ser muito interessantes, após 2 ou 3 anos é muito difícil ter previsibilidade da Selic – o que diminui a certeza de cravar ganhos consistentes.
O mercado financeiro tem recursos para oferecer segurança aos investidores – especialmente aos conservadores. Um exemplo é o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Trata-se de uma organização privada e sem fins lucrativos responsável por cobrir perdas em investimentos de renda fixa, como:
CDB – Certificado de Depósito Bancário: quem compra CDBs empresta dinheiro para os bancos financiarem suas atividades de crédito, e é remunerado com juros.
LCI/LCA – Letra de Crédito Imobiliário/do agronegócio: são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para estimular os setores imobiliário e do agronegócio. Por estimular setores importantes da economia, são isentos de Imposto e Renda (IR).
O funcionamento do FGC é simples: caso a instituição financeira emissora do ativo adquirido vá à falência, o FGC garante uma indenização de até R$ 250 mil reais para cada CPF.

O investimento em títulos públicos está sujeito a algumas taxas: tarifa de custódia – paga à B3, responsável por organizar o sistema -, administração do banco ou da corretora que realizar a intermediação do investimento, Imposto de Renda e IOF.
A cobrança do IR é regressiva e, em dois anos, cai de 22,5% para 15%. O IOF é cobrado apenas no primeiro mês e também regride: de 96% para um dia de investimento até zero a partir de 30 dias.
Uma boa notícia neste momento é que, a partir de janeiro de 2022, a taxa de custódia do Tesouro Direto foi reduzida de 0,25% para 0,20%.
Quem deixou dinheiro parado na poupança no ano passado teve prejuízo. Em 2021, a poupança rendeu 2,99%, enquanto a inflação avançou 10,06% no período. Portanto, o rendimento real ficou negativo de 7,07% para as cadernetas.
A poupança começou o ano passado rendendo 70% dos juros básicos mais a taxa referencial – atualmente em zero, ou 5,43% no ano. Essa regra vale quando a Selic está abaixo de 8,5%. Por isso, a partir de outubro do ano passado, quando a taxa passou de 7,75%, a poupança passou a ter rendimento nominal de 0,5% ao mês – ou 6,17% ao ano.
Quando o investidor olha o extrato da sua carteira, ele tem duas formas de avaliar o desempenho dos investimentos, considerando ou não o desconto da inflação:
Quando a análise do percentual de rendimento não considera as perdas com a inflação no período do investimento.
Quando a análise percentual de rendimento considera as perdas com a inflação no período do investimento.
A inflação ocorre porque os preços dos bens sobem, o que faz o dinheiro perder o poder de compra. Então, se uma pessoa ganha R$ 10 mil por mês e não tem reajuste, o salário passa a valer menos, uma vez que os produtos ficam mais caros e ela não consegue acompanhar. Isso também ocorre com investimentos.
Nos últimos 12 meses, a inflação oficial do Brasil acumula alta de 10,74%. Então, para obter lucro com um ativo, é preciso que ele renda mais do que isso no mesmo período – o chamado juro real. Seu valor é conhecido ao descontar a inflação do retorno gerado pelo investimento.
Vamos supor que um título tenha rendido 14% em 2021 até dezembro; descontando a inflação do período, de 10,74%, o ganho é de 3,22%.
A Bolsa de Valores oferece diferentes possibilidades de aportes. Até os investidores mais conservadores podem se expor com parcimônia à renda variável com uma pequena parcela do portfólio. Ao olhar para o mercado acionário com uma visão de longo prazo, é possível ser sócio de diversas companhias, algumas bem consolidadas, incluindo as maiores do Brasil.

Como indicado, o mercado acionário pode ser mais seguro quando se pensa no longo prazo. Aqui entra uma estratégia chamada Buy and Hold – comprar e segurar. É a forma como o guru americano Warren Buffett investe em ações: ele adquire os papéis e os mantêm pelo tempo que percebe continuar valendo a pena.
É por esse motivo que se deve acompanhar a situação da empresa com certa frequência. Em algum momento, a administração pode tomar decisões com as quais o investidor não concorda. Ao se manter atualizado, é possível sair do negócio antes de sofrer perdas financeiras.
É importante ter em mente que o investimento em ações também deve ser diversificado. Se uma pessoa mantém papéis de apenas uma ou duas empresas, ela terá os riscos muito concentrados.
Há setores da economia e mesmo negócios específicos que conseguem se proteger em momentos de crise. Empresas que prestam serviços públicos – como saneamento básico e energia elétrica – costumam ter uma demanda estável. Consequentemente, o fluxo de caixa é previsível.
Companhias que comercializam bens essenciais também podem ser mais resilientes em períodos adversos. As farmácias, por exemplo: afinal, ninguém pode ficar sem remédio quando precisa. Além disso, o envelhecimento da população pode aumentar a demanda do setor no longo prazo.
Durante a pandemia, as commodities também foram uma boa alternativa para investimentos conservadores em renda variável. Esse tipo de produto possui valor intrínseco e atende demandas diversas – petroquímicas ligadas ao plástico podem fornecer ao setor automotivo e à construção civil, por exemplo.
Quando os investidores pensam em fazer os primeiros aportes na Bolsa, precisam escolher em qual companhia investir. Hoje, existem mais de 400 empresas listadas na B3. Uma opção é adquirir cotas de fundos de ações, e contar com a experiência dos gestores nessa escolha.
Fundos de ações também são uma estratégia para investir em renda variável de forma conservadora. Os especialistas da XP acreditam na capacidade dos gestores de gerar retornos excedentes, mesmo com o cenário complicado à frente. “Muitos conseguem ter performance melhor que a média do mercado, principalmente em cenário de queda do Ibovespa”. Outra vantagem é já ter a diversificação garantida, afinal, os fundos investem em várias empresas.
FIIs (Fundos Imobiliários)
Funciona como uma espécie de condomínio financeiro, pois os investidores adquirem cotas – partes do imóvel – por meio de um fundo. Tanto a escolha dos ativos, como a administração do patrimônio, ficam sob a responsabilidade de um gestor. Os FIIs são classificados em três grupos: Tijolos, Papel e Híbridos.
Os investidores moderados que buscam viver de renda passiva, adquirem FIIs devido ao pagamento frequente de dividendos – proporcional à quantidade de cotas que cada investidor possui.
Os fundos multimercado são veículos que investem em diferentes classes de ativos, e podem mesclar renda fixa e renda variável. O funcionamento é o mesmo de outros fundos – investimento coletivo dividido em cotas que ganham ou perdem valor de acordo com o desempenho da carteira gerida por um profissional.
A vantagem dos multimercados, está na facilidade de diversificar os investimentos. Sendo assim, o investidor pode diminuir o risco da carteira ao “separar os ovos em diversas cestas”.
Investimentos requerem objetivo – sem ele, as pessoas não enxergam um motivo para guardar dinheiro e gastam ao invés de realizar aplicações. Por isso, além de uma primorosa organização financeira, é preciso traçar metas a serem conquistadas por meio dos aportes.
Essa será a base para a estratégia a ser alinhada com o assessor de investimentos. Em geral, pessoas de perfil conservador optam por estratégias com horizonte de longo prazo, pois geralmente são as que oferecem melhor rentabilidade.
A partir das metas, também é possível pensar no tempo necessário para cada investimento e equilibrar isso com os prazos oferecidos pelas diferentes aplicações. Mesmo que a carteira tenha sido montada visando o longo prazo, é importante deixar sempre um percentual alocado em ativos que têm liquidez, ou seja, que podem ser resgatados sem prejuízo.

Como obter ajuda na hora de investir?
Como vimos até aqui, é essencial acompanhar – e entender – os principais movimentos da economia e da política antes de tomar qualquer decisão sobre os aportes. Tem bastante coisa para acompanhar, mas o investidor não precisa estar sozinho nessa jornada!
Para investir com assertividade, é importante ter ajuda profissional. Uma necessidade cada vez mais percebida pelos brasileiros, e que tem aumentado a procura por escritórios de investimentos – empresas que oferecem assessoria.
Números mostram esse movimento: o número de assessores no Brasil saltou de 4,8 mil para 14,4 mil no fim de 2021, de acordo com a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (ANCORD).
O assessor da SVN Henrique Estela dá um bom exemplo: quando uma pessoa tem problema no coração, ela procura um cardiologista, não um clínico geral, afinal, necessita do especialista.
No segmento financeiro, a regra é a mesma: gerentes de bancos, como “clínicos gerais”, exercem um trabalho mais generalista – têm diferentes atribuições e lidam com um número grande de clientes. A maioria dos correntistas não sabe sequer o nome do atual gerente da sua conta.
Os assessores, por sua vez, são especializados em investimentos, e estão dispostos a buscar a melhor opção de acordo com os objetivos e o perfil de cada cliente.
Na SVN, por exemplo, os profissionais contam com a plataforma da XP, que une aplicações de diversas instituições: “A gente consegue oferecer produtos de mais de 100 bancos diferentes, mais de 400 fundos de investimentos e a Bolsa de Valores”, explica Estela.
A SVN, abreviação de ‘seven’ – número que simboliza a perfeição – foi fundada em 2007 em Maringá (PR) e, logo depois, adquirida por Felipe Bernardes. À época, ele tinha como objetivo compartilhar o conhecimento adquirido em investimentos de maneira inovadora.
No entanto, foi em 2012, após uma viagem aos Estados Unidos, que a SVN passou por uma transformação. Ao conhecer a profissão financial advisor, Bernardes trouxe a figura para o próprio negócio.
Para atender a demanda de todos os perfis de clientes, a SVN formou a primeira equipe de assessores de investimentos e passou a cobrir todas as principais operações de Renda Variável – além de incluir a Renda Fixa em seu cardápio -, com o respaldo de ofertar os produtos da plataforma da XP.
A empresa se dedicou a edificar a expansão do negócio sobre um pilar: a excelência no atendimento personalizado. Em 2017, a SVN entrou no seleto grupo dos 20 maiores escritórios parceiros da XP. Um ano depois, já com a filial em São Paulo, alcançou a marca de R$ 1 bilhão em patrimônio assessorado.
Clientes satisfeitos geram cada vez mais indicações, o que impulsionou o crescimento do negócio. Ao inaugurar o escritório de Londrina (PR), Bernardes expandiu o programa de partnership ao trazer ao time alguns dos melhores profissionais do mercado financeiro. Em 2020, ano da inauguração da filial de Curitiba, a SVN já respondia pela assessoria de R$ 6 bilhões. E conquista cada vez mais espaço no mercado. Em 2021, com quase R$ 10 bilhões em capital assessorado, a equipe inaugurou novos escritórios em Goiânia (GO), Cascavel, Foz do Iguaçu (PR), Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS).


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