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UM GUIA PARA O INVESTIDOR DE PERFIL MODERADO
A disparada da inflação segue no radar do mercado, uma vez que o IPCA acumula alta de 11,30% nos últimos 12 meses. Diante do conflito no leste europeu, que eleva o preço das matérias-primas no mercado internacional, a expectativa é que a pressão inflacionária siga forte nos próximos meses não só no Brasil, como no mundo.
Abril começa com expectativa de que as conversas de paz entre Rússia e Ucrânia, intermediadas especialmente pela Turquia, contribuam para a solução da situação ao longo do mês.
No Brasil, temos um cenário peculiar: de um lado, a entrada de capital estrangeiro segue forte como reflexo dos altos níveis de preços de commodities (grãos e petróleo) e menor peso no custo de energia elétrica. No entanto, observamos grande pressão inflacionária nos combustíveis e fretes derivada do choque de petróleo no mundo.
Para controlar o avanço nos preços, o Banco Central promoveu uma nova alta na taxa básica de juros em março, o que elevou a Selic para 11,75% ao ano. A autoridade monetária sinalizou que, caso o preço do petróleo siga em alta, haverá espaço para mais altas, o que poderia elevar a Selic a 13,25%. Vale destacar que essa previsibilidade trouxe certa segurança ao mercado brasileiro.
No entanto, os investidores mantém importante nível de incerteza, que deve se acentuar ainda mais nos próximos meses diante da proximidade das eleições.
É natural que, ao avaliar o atual momento do mercado, os investidores se perguntem quais ativos devem priorizar na carteira – ao menos para a primeira metade do ano. A boa notícia é que existem opções interessantes que se beneficiam da alta da inflação e dos juros.
Ao tratar de investimentos, deve-se ter em mente a existência de diferentes perfis de investidor. Este material é dedicado aos investidores de perfil moderado – que buscam equilíbrio entre rentabilidade e risco. A seguir, confira mais detalhes sobre o cenário e sugestões de carteiras para 2022 de acordo com informações da SVN, XP e Levante Corp.
Boa leitura!
O primeiro passo para começar a investir é saber o seu perfil de investidor – uma classificação que define a tolerância ao risco.
Essa classificação é feita por meio do teste do Suitability – verificação da adequação do produto ao cliente. Existem três tipos principais de perfil: conservador, moderado e arrojado ou agressivo.
Os investidores moderados são aqueles que estão no “meio termo”, pois carregam um pouco das características dos conservadores, e um pouco dos arrojados. Ou seja, é o investidor que gosta de ter segurança nos investimentos, mas está disposto a correr um pouco de risco para atingir seus objetivos e ter melhores rendimentos.

No portfólio para março, a equipe da Levante Corp indica uma carteira que tem como objetivo aproveitar oportunidades de ganhos com exposição moderada ao risco.
Um dos principais destaques do cenário de Renda Fixa é o ciclo de elevação da taxa básica de juros promovida pelo Banco Central (BC). Em março, a Selic teve uma nova elevação, passando de 10,75% para 11,75% ao ano. O aperto monetário tem como meta segurar a alta dos preços – o IPCA, índice que mede a inflação oficial do País – O IPCA acumula alta de 11,30% nos últimos 12 meses. Neste cenário, os ativos de renda fixa ficam mais atrativos.
Principais indicadores da renda fixa:
SELIC
11,75%
Selic: Taxa básica de juros, que é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
mar/22
IPCA - 12 meses
11,30
IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medidor oficial de inflação do Brasil.
fev/22
CDI
0,92%
CDI - Taxa de juros baseada em empréstimos que bancos realizam uns aos outros e que costuma seguir a Selic.
mar/22
Títulos Públicos prefixados e indexados à inflação (IPCA+): Há LTNs (Tesouro Prefixado) com vencimento em 2022 a 2025 e NTN-B (títulos do Tesouro Direto indexada à inflação)com vencimentos até 2026.
– Títulos com prazo médio de vencimento acima de 5 anos, como
NTN-Bs que vencem após 2028. Títulos bancários (CDBs) e crédito privado (debêntures).
– Pós-fixados: Tesouro Selic 2024, Tesouro Selic 2027. LFTs negociadas no mercado secundário e títulos bancários e de crédito privado que acompanham a taxa Selic. Dica: como esses títulos podem sofrer oscilações, é recomendado a procura de opções que tenham prazos mais curtos de vencimento.
O cenário político de 2022 no Brasil será marcado pela eleição presidencial em outubro. Isso deve aumentar a volatilidade dos mercados como um todo, principalmente se houver segundo turno. Há, também, a preocupação com o cenário geopolítico após a invasão russa à Ucrânia. A diversificação dos ativos continua sendo a melhor opção para passar pelo momento que tem tudo para ser turbulento.
O atrativo da renda variável é a possibilidade de ganhos maiores daqueles encontrados na renda fixa. Aplicações de longo prazo, índices sujeitos a variação – como o Ibovespa – podem ultrapassar os ganhos da poupança e do Tesouro Direto, como também podem dar prejuízo.

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) é o principal indicador de desempenho das ações negociadas na Bolsa Brasileira (B3). Nele, são listadas as companhias mais importantes do mercado de capitais brasileiro.
O Ibovespa terminou março com avanço de 6,07%, aos 120 mil pontos. No ano, o principal índice da Bolsa avançava 14,4% na primeira semana de abril.
Os analistas da XP preveem que, para o final de 2022, o Ibovespa pode chegar aos 130 mil pontos.
Multimercado – A renda variável se refere a diversos tipos de investimentos. Essa característica é explorada pelos fundos multimercado, que exibem portfólios com diferentes classes de ativos, inclusive de renda fixa. O funcionamento é o mesmo de outros fundos – investimento coletivo dividido em cotas que ganham ou perdem valor de acordo com o desempenho da carteira gerida por um profissional.
A vantagem dos multimercados, está na facilidade de diversificar os investimentos. Sendo assim, o investidor pode diminuir o risco da carteira ao investir em ativos variados. A equipe da Levante Corp tem preferência pelos Multimercado Macro (com estratégia baseada em cenários e indicadores macroeconômicos) que tenham média volatilidade.
“Recomendamos Fundos semelhantes e com gestões de qualidade”, aponta a equipe, em relatório. O investidor pode contar sempre com um assessor para avaliar a entrada em uma das melhores opções da categoria disponível hoje no mercado.
Ações – No mercado de ações, o investidor adquire parte do capital social de uma empresa, e tem o direito de participar de seus resultados. A rentabilidade é obtida de duas formas: pela valorização dos papéis – vender por um preço mais alto que o valor de compra; e pela distribuição de proventos, como os dividendos.
Hypera(HYPE3)
A Hypera Pharma é a maior empresa farmacêutica do mercado brasileiro, que trabalha em três grandes áreas de negócios: produtos de prescrição médica, medicamentos isentos de prescrição, e genéricos.
Vale destacar que o mercado farmacêutico brasileiro é considerado um dos mais promissores em termos de expansão, sendo o maior da América Latina e com taxa de crescimento médio anual projetada em 10% para os anos de 2020-2024.
“Portanto, atese de investimento em Hypera Pharma passa pela análise de suas vantagens competitivas, em especial o poder de marca e as múltiplas barreiras de entrada no setor farmacêutico”, aponta a Levante, em relatório.
Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) – funcionam como uma espécie de condomínio financeiro, pois os investidores adquirem cotas – partes do imóvel – por meio de um fundo. Tanto a escolha dos ativos, como a administração do patrimônio, ficam sob a responsabilidade de um gestor.

REC Recebíveis Imobiliários (RECR11): Fundo Imobiliário que tem como foco de atuação a aquisição de recebíveis imobiliários. O Fundo opera com um risco de crédito um pouco mais elevado, em ativos não tão óbvios e com estruturas complexas. A competente equipe de gestão, da qual gostamos muito, realiza aquisições de alta qualidade.
O Fundo finalizou, há pouco, a sua décima primeira emissão de novas cotas, captando R$ 500 milhões – recursos que foram totalmente alocados.

Dentro do cenário de incertezas que o Brasil está passando no âmbito econômico, político e social – referente à inflação alta e questões fiscais que ganham ênfase com a corrida presidencial em outubro -, os investimentos em território nacional podem vir a se tornar instáveis e inconsistentes.
Então, é preciso muito mais atenção aos riscos e volatilidade, além de estar preparado para possíveis perdas a qualquer momento. Uma alternativa para os investidores tem sido realizar aportes em outros países, cuja economia é mais estável, segura e oferece maior e melhor rentabilidade.
Nos Estados Unidos, a aversão ao risco predominou em fevereiro em meio ao conflito no leste europeu. O S&P500, por exemplo, recuou 3,14%, enquanto o termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 3,43%. O movimento pode ser considerado como oportunidades para compra de ativos por lá.
Exchange Traded Funds (ETFs) – são fundos que fazem aportes em um índice de ações, e as suas cotas são negociadas na Bolsa de Valores. O ETF permite a diversificação de recursos, e é considerado um dos veículos preferidos para acessar ativos internacionais.
Eles podem ser comprados e vendidos como ações na Bolsa Brasileira (B3). O desempenho oscila de acordo com a performance dos papéis negociados e da oferta e procura das cotas no mercado. Como índice de referência do ETF, admite-se qualquer índice de ações reconhecido pela CVM.
O ETF também permite a diversificação de recursos, sem a necessidade de enviar dinheiro para o exterior e pagar o valor do câmbio. As operações, são tributadas em 15% sobre o Imposto de Renda (IR), sendo necessário pagar taxa de corretagem sobre a compra e a venda dos ativos.
Diante na alta no preço das commodities e de ativos de proteção, como o ouro, alguns ETFs se destacam em março:
1- It Now IMAT Fundo de Índice (MATB11)
Replica a performance do Índice de Materiais Básicos (IMAT), que tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior representatividade do setor de materiais básicos.
A carteira do IMAT é composta por ações de empresas de segmentos diversos, como fabricantes de papel, mineradoras, siderúrgicas. Os ativos precisam estar entre os 99% mais negociados da B3.
O produto pode ser acessado por investidores em geral, que estejam habilitados para adquirir cotas do Fundo. A SVN recomenda um bate-papo com um assessor de investimentos para tirar dúvidas sobre o produto e mensurar os riscos.
Em fevereiro, o IMAT tinha 17 papéis na carteira, como Braskem (BRKM5), Guerdau (GGBR4) e Vale (VALE3). Ao adquirir o ETF, o investidor está investindo em todas essas empresas – o que eleva a diversificação.
2- Trend ETF LBMA Ouro (GOLD11)
Primeiro ETF de ouro do Brasil, o GOLD11 foi lançado em janeiro de 2020. O fundo investe em cotas de um ETF do exterior, o iShares Gold Trust (IAU), da BlackRock, listado na bolsa americana NYSE (New York Stock Exchange).
Negociado na B3, o investidor tem algumas vantagens ao adquiri-lo: como liquidez e diversificação – pois com uma única transação, o ETF proporciona o investimento em diversos ativos.
A composição do IAU é feita com negociações no próprio mercado de ouro, uma vez que o fundo funciona como um intermediário entre o investidor e o mercado de ouro.
A principal característica de uma carteira para perfil de investidor moderado é a diversificação entre ativos de renda fixa e variável. A estratégia mitiga o risco e maximiza os ganhos. Isso porque, ao diversificar a carteira, o investidor tem acesso a diferentes mercados e consegue aproveitar o melhor movimento de cada um deles. Trata-se de uma estratégia para equilibrar rentabilidades e volatilidade.
Independente de como estiver o cenário, é preciso entendê-lo, especialmente para identificar os ciclos e os impactos no movimento dos ativos. Por isso, é essencial contar com um assessor de investimentos para formular uma estratégia de diversificação assertiva de acordo com o perfil e objetivos de cada cliente ou família.
O assessor de investimentos da SVN, Carlos Ginka, propõe ao investidor moderado uma alocação que busca equilibrar segurança, liquidez e rentabilidade. “É possível diminuir o risco de exposição ao dividir os ovos em diversas cestas”, diz.
Ginka recomenda uma carteira composta por 30% de ativos em prefixados; 24% ligados à inflação; 17% em multimercados; 14% em renda variável global; 9% em renda variável Brasil e 6% em prefixados.
Como vimos até aqui, é essencial acompanhar – e entender – os principais movimentos da economia e da política antes de tomar qualquer decisão sobre os aportes. Tem bastante coisa para acompanhar, mas o investidor não precisa estar sozinho nessa jornada!
Para investir com assertividade, é importante ter ajuda profissional. Uma necessidade cada vez mais percebida pelos brasileiros, e que tem aumentado a procura por escritórios de investimentos – empresas que oferecem assessoria.
Números mostram esse movimento: o número de assessores no Brasil saltou de 4,8 mil para 14,4 mil no fim de 2021, de acordo com a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (ANCORD).

O assessor da SVN Henrique Estela dá um bom exemplo: quando uma pessoa tem problema no coração, ela procura um cardiologista, não um clínico geral, afinal, necessita do especialista.
No segmento financeiro, a regra é a mesma: gerentes de bancos, como “clínicos gerais”, exercem um trabalho mais generalista – têm diferentes atribuições e lidam com um número grande de clientes. A maioria dos correntistas não sabe sequer o nome do atual gerente da sua conta.
Os assessores, por sua vez, são especializados em investimentos, e estão dispostos a buscar a melhor opção de acordo com os objetivos e o perfil de cada cliente.
Na SVN, por exemplo, os profissionais contam com a plataforma da XP, que une aplicações de diversas instituições: “A gente consegue oferecer produtos de mais de 100 bancos diferentes, mais de 400 fundos de investimentos e a Bolsa de Valores”, explica Estela.
A SVN, abreviação de ‘seven’ – número que simboliza a perfeição – foi fundada em 2007 em Maringá (PR) e, logo depois, adquirida por Felipe Bernardes. À época, ele tinha como objetivo compartilhar o conhecimento adquirido em investimentos de maneira inovadora.
No entanto, foi em 2012, após uma viagem aos Estados Unidos, que a SVN passou por uma transformação. Ao conhecer a profissão financial advisor, Bernardes trouxe a figura para o próprio negócio.
Para atender a demanda de todos os perfis de clientes, a SVN formou a primeira equipe de assessores de investimentos e passou a cobrir todas as principais operações de Renda Variável – além de incluir a Renda Fixa em seu cardápio -, com o respaldo de ofertar os produtos da plataforma da XP.
A empresa se dedicou a edificar a expansão do negócio sobre um pilar: a excelência no atendimento personalizado. Em 2017, a SVN entrou no seleto grupo dos 20 maiores escritórios parceiros da XP. Um ano depois, já com a filial em São Paulo, alcançou a marca de R$ 1 bilhão em patrimônio assessorado.
Clientes satisfeitos geram cada vez mais indicações, o que impulsionou o crescimento do negócio. Ao inaugurar o escritório de Londrina (PR), Bernardes expandiu o programa de partnership ao trazer ao time alguns dos melhores profissionais do mercado financeiro. Em 2020, ano da inauguração da filial de Curitiba, a SVN já respondia pela assessoria de R$ 6 bilhões. E conquista cada vez mais espaço no mercado. Em 2021, com quase R$ 10 bilhões em capital assessorado, a equipe inaugurou novos escritórios em Goiânia (GO), Cascavel, Foz do Iguaçu (PR), Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS).


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