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Manual para realizar os primeiros aportes no segmento
Seja em busca de retornos acima da média, diversificação ou proteção contra inflação, cada vez mais investidores agregam criptoativos às carteiras. Embora as criptomoedas já existam há mais de uma década, a negociação ganhou algumas dezenas de milhões de adeptos em todo o mundo nos últimos cinco anos. A demanda teve o seu auge em novembro de 2021, quando o Bitcoin alcançou o valor recorde de US$ 68,7 mil.
Para além do Bitcoin, há mais milhares de criptomoedas aptas para investimento. Existem opções para acessá-las por meio de produtos tradicionais do mercado financeiro como fundos e ETFs.
Neste material, vamos detalhar o caminho para realizar esses aportes. Um dos atrativos de incluir criptos no portfólio é o fato de elas serem descorrelacionados com os ativos tradicionais. Por isso, o segmento é apontado por especialistas como boa opção para diversificar a carteira em tempos de instabilidade.
Boa leitura

O Bitcoin – assim como todas as criptos – tem valor pelo seu princípio básico de funcionamento: as partes que negociam têm certeza de que a transação será sempre idônea e descentralizada, feita sem nenhum intermediário e validada no livro-razão universal, público e imutável – o blockchain. Trata-se do o ambiente que possibilita e guarda todo o histórico de negociações das criptomoedas.
O que é blockchain?
O blockchain (cadeia em blocos, em tradução literal) é o grande sistema que faz o Bitcoin e outras criptomoedas funcionarem. Ele guarda as informações de todas as transações de maneira segura – ou seja, não tem como fraudar esses dados. Por isso, ele funciona como um grande livro-razão digital.
Descentralização é uma das principais características das criptomoedas. Isso as coloca um degrau acima dos sistemas centralizados dos bancos, que é mais suscetível a ciberataques e interrupções.
Um dos maiores benefícios das criptos é a capacidade de transferir rapidamente e de maneira segura grandes quantidades de valores para pessoas e/ou empresas que se encontram em diferentes partes do mundo sem a necessidade de intermediários.
Para além do Bitcoin, existem mais de 10 mil criptomoedas em negociação no mundo. Detalhes sobre o funcionamento e as cotações – com os gráficos desses ativos – podem ser acompanhados no site Coinmarketcap, referência no segmento. O valor dessas moedas reflete a demanda do mercado, que cresce na esteira da crença em relação à tecnologia contida em sua programação – especialmente em relação à usabilidade futura.
A moeda virtual mais conhecida é o Bitcoin, que concentra cerca de 40% das transações do mercado. Em segundo lugar, está o Ethereum, com cerca de 18% de participação.

Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) são as maiores criptos do mundo.
Isso reflete a usabilidade assertiva delas no blockchain. Mas não são as únicas. Entre as mais de 10 mil criptos, existem algumas que são consideradas promissoras pelos investidores por possuírem tecnologia que pode suportar importantes projetos no longo prazo.
Essa avaliação pode ser feita com base em diversos requisitos – cada moeda tem a sua utilização. Em geral, aquelas consideradas pelos investidores como mais promissoras são também as mais negociadas.
Confira a capitalização – ou o valor total das moedas em circulação – das três principais criptomoedas em 2 de março de 2022:
Primeira criptomoeda descentralizada do mundo. Criada por um programador que usa o codinome de Satoshi Nakamoto, foi lançada em janeiro de 2009. Nakamoto afirma que o Bitcoin foi criado para permitir que “pagamentos online sejam enviados diretamente de uma parte para outra sem passar por uma instituição financeira”.

Ethereum é um sistema lançado em 2015 que tem um código aberto descentralizado, e apresenta sua própria criptomoeda, Ether. A ETH funciona como uma plataforma que roda inúmeras outras criptomoedas, e executa contratos inteligentes descentralizados. A tecnologia está sendo estudada por bancos centrais de todo o mundo – inclusive o do Brasil – para otimizar as transações do sistema financeiro. Algumas instituições privadas, como o Santander, também realizam testes com a tecnologia.
O USDT é uma stablecoin (criptomoeda de valor estável) lançada em 2014 que tem como principal característica ter o seu valor atrelado ao dólar norte-americano. A vinculação do token ao dólar é alcançada por meio de depósitos fiduciários e letras do tesouro em reservas – entre outros instrumentos.
*Valores em 3 de março
Agora que já sabemos como funciona a dinâmica das criptos, o próximo passo é entender como investir. Hoje existem algumas maneiras de acessar essa categoria de ativo, como:
– Adquirindo criptomoedas por meio de corretoras (Exchanges) ou Peer to peer (ponto a ponto) comprando diretamente de outros investidores;
– Por meio de ETFs;
– Por meio de fundos de investimento.
A seguir, vamos detalhar cada uma dessas dinâmicas:

Para comprar criptomoedas direto das exchanges, o investidor deve ter conhecimento básico do mercado para fazer algumas ponderações. Essa postura é essencial para evitar prejuízos.
O primeiro passo é verificar se a instituição financeira escolhida para intermediar as transações é idônea. Exitem hoje no Brasil cerca de 30 corretoras de cripto, as chamadas exchanges – há opções também em outros países. Para comprar e armazenar os ativos, o investidor precisará ter uma carteira virtual para guardar e movimentar os recursos.
O próximo passo depois de escolher a corretora é decidir entre os mais de 10 mil ativos em qual investir. As transações de compra e venda são feitas por meio da carteira virtual – que pode ser baixada no celular ou computador na mesma dinâmica de um aplicativo.
A negociação das moedas virtuais é feita em frações. Ou seja, quem investe não precisa ter R$ 125 mil para comprar 1 Bitcoin, uma vez que é possível investir R$ 200 e adquirir apenas uma pequena fatia do ativo.
Outra maneira de adquirir criptos é comprá-las de outra pessoa, em uma operação cuja dinâmica é parecida com a transação feita com corretoras.
A negociação acontece sem intermediários por meio das carteiras virtuais – os valores podem ser transferidos por meio do QR code. Vale sempre redobrar a atenção em transações como essa para evitar cair em fraudes.
Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de investimentos negociados na bolsa de valores que aplicam o patrimônio em ativos que acompanham o desempenho de um índice de referência – como o Ibovespa, por exemplo. Trata-se de uma boa opção para começar a investir no segmento.
Na prática, os ETFs representam uma maneira de investir nas principais criptomoedas de forma indireta, isto é, o investidor adquire cotas do Fundo de Investimento na Bolsa de Valores e este, por sua vez, investe nos ativos de acordo com uma política e regras pré-estabelecidas.
Na B3 é, possível acessar os principais produtos do segmento. Listamos abaixo duas opções:
O HASH11 foi o primeiro ETF de criptomoedas lançado no Brasil. Ele replica o Nasdaq Crypto Index (NCI) – desenvolvido pela gestora Hashdex em parceria com o Nasdaq, índice norte-americano que reúne ações das principais empresas de tecnologia do mundo. O NCI busca refletir o movimento do mercado de criptoativos ao investir, no mínimo, 95% do patrimônio em cotas do fundo de índice.
A sua composição é revista trimestralmente. Em fevereiro, o NCI era composto por 8 criptos:
Bitcoin: 63,74%
Ethereum: 33,25%
Litecoin: 0,88%
Chainlink: 0,68%
Bitcoin Cash: 0,43%
Uniswap: 0,38%
Stellar: 0,36%
Filecoin: 0,28%
Nasdaq Crypto Index (NCI) – Para fazer parte do NCI, o criptoativo precisa ter alguns requisitos: preço flutuante, ser negociado em pelo menos 3 corretoras de cripto qualificadas, ter suporte de ao menos 2 custodiantes institucionais e ter alta liquidez.
Criado em 2021, o HASH11 é administrado pelo Banco Genial S.A e gerido pela Hashdex Gestora de Recursos Ltda.
> Investimento em lotes ou em múltiplos de lotes mínimos no mercado primário; no mercado secundário, em lotes a partir de uma cota.
> Taxa de administração: 0,30% ao ano
Trata-se do primeiro fundo negociado em bolsa (ETF) da América Latina que aloca ao menos 90% do portfólio em Ether (ETH) – a segunda cripto mais negociada no mundo.
O QETH11 segue o CME CF Ether Reference Rate, um dos índices de referência de contratos futuros de Bitcoin negociados pela Chicago Mercantile Exchange (CME) — a maior bolsa de derivativos do mundo.
Criado em 2021, o QETH11 é administrado pela Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda e gerido pela QR Capital Gestora de Recursos.
> Investimentos a em lotes mínimos a partir de 10 mil cotas no mercado primário
> Taxa de administração: 0,75% ao ano

Outra maneira de investir em criptos é por meio de fundos de investimento. Desde setembro de 2018, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) liberou fundos de investimentos para realizar aportes de maneira indireta em criptomoedas.
Quem investe por meio de fundos não precisa necessariamente entender os pormenores do mercado, à medida que delega essa atividade para o gestor.
Muitos veículos são distribuídos por corretoras que atuam também no segmento tradicional de investimentos. Há, igualmente, gestoras especializadas no tema que se dedicam a operar somente fundos ligados às criptos. Na prática, os produtos têm a mesma dinâmica dos demais fundos ofertados no mercado.
“É a melhor opção para quem deseja expor o seu patrimônio à valorização desse mercado sem ter de se preocupar com a custódia dos ativos”, avalia a equipe da Levante Corp, em relatório.
Vale destacar que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) limita a exposição do pequeno investidor a ações no exterior, o que inclui as criptomoedas. Dessa maneira, os veículos acessíveis ao investidor geral investem no máximo 20% em criptos e renda variável, e os outros 80% renda fixa.
Um exemplo é o Vitreo Cripto Metals Blend, que tem o portfólio dedicado a investimentos em metais nobres – como prata e ouro – e, em menor proporção, criptomoedas.
> Investimento inicial: a partir de R$ 100
> Taxa de administração: 0,05% + taxa dos fundos investidos
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Já para investidores qualificados – que possuem R$ 1 milhão ou mais em investimentos – o QR BTC MAX FIM IE, da QR Asset Management, pode ser uma opção. O fundo investe até 100% do portfólio em Bitcoin diretamente em exchanges do exterior.
> Investimento inicial: R$ 50 mil
> Taxa de administração: 0,09% ao ano

Qual a definição mais precisa para o Bitcoin e as demais criptomoedas? Um ativo de risco, especulativo, ou um ativo defensivo em momentos de incerteza profunda nos mercados globais? De acordo com a equipe da Levante Corp, as duas definições estão corretas.
A invasão russa à Ucrânia na madrugada de 24 de fevereiro ressaltou o uso das moedas digitais como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional. Esse comportamento pôde ser observado na cotação dos ativos.
No início da invasão russa, a cotação do Bitcoin recuou 10,6%, para cerca de US$ 34,6 mil, o que reflete um forte movimento vendedor. À primeira vista, o segmento se comportou de maneira parecida com os mercados tradicionais – com aversão ao risco por conta da possibilidade de a guerra prejudicar, ou mesmo interromper, o fornecimento de grãos e de energia para os países da Europa.
Os desdobramentos desse cenário são inflação elevada, o que tende a levar os bancos centrais a aumentar os juros e desacelerar o processo de recuperação econômica. Na prática, menos dinheiro em circulação representa a diminuição da demanda pelos ativos financeiros – inclusive as criptomoedas.
No entanto, a recuperação no preço do Bitcoin mostra que a demanda pelas criptos segue forte. Pouco mais de um dia após o anúncio da invasão da Ucrânia o Bitcoin, já tinha recuperado a queda superior a 10% e voltado ao valor anterior à notícia: US$ 38,8 mil dólares.
A equipe de análise da Levante entende que as sanções internacionais à Rússia – que podem excluir o país do sistema de transferências financeiras Swift – tende a elevar ainda mais o interesse pelo Bitcoin.
O ativo pode ser adotado por empresas sediadas em paraísos fiscais ou em países não-alinhados aos Estados Unidos para seguir as negociações com a Rússia. Esse conflito “vai definir se as criptomoedas são ou não uma alternativa ao sistema financeiro internacional”, conclui a casa de análise.
No dia 2 de março, o preço do Bitcoin havia subido para US$ 44, 1 mil.
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DISCLAIMER
Todos os produtos contidos neste material são ilustrativos e não configuram recomendações de investimento.
Para investir em criptomoedas com segurança, a SVN recomenda um conversa com o assessor de investimentos. Esse profissional vai analisar os objetivos e histórico de cada pessoa para buscar as melhores opções de aporte no segmento de criptos – e em todos os outros.
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Texto e edição: Priscilla Arroyo
Diagramação: Gabriela França
A SVN Investimentos é um dos cinco maiores escritórios parceiros da XP. Com mais de R$ 10 bilhões de patrimônio sob custódia, reunimos uma equipe de especialistas para apoiar pessoas, famílias e empresas a criar um plano assertivo de investimentos. Atendemos clientes que tenham a partir de R$ 200 mil disponíveis para aportes.


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