MULHERES INVESTINDO

GANHAM MAIS

Participação feminina na Bolsa aumenta e os resultados podem ser melhores que dos homens

Índice

Sobre a estratégia assertiva delas: rentabilidade maior à vista

Entre janeiro de 2011 e dezembro de 2020, o grupo norte-americano Fidelity Investments analisou os portfólios de 5,2 milhões de clientes. Os resultados foram divulgados em um relatório chamado “Women and Investing Study” que, entre outras informações, aponta: as carteiras delas rendem, em média, 0,4% a mais anualmente.

Um dado abaixo de meio por cento ao ano pode não chamar atenção de todas as pessoas, porém, o impacto no longo prazo dificilmente passa despercebido. O assessor de investimentos da SVN, Henrique Estela, criou duas carteiras teóricas para demonstrar: ele chegou à diferença de R$ 350 mil no final dos investimentos

Trata-se de uma diferença considerável que pode se traduzir em um apartamento em uma cidade grande.

Para chegar a essa cifra, Estela considerou os seguintes parâmetros:

  • Objetivo: aposentadoria.
  • Período de investimento: 29 anos.
  • Investimento inicial: R$ 200 mil.
  • Aporte mensal: R$ 4 mil.
  • Inflação anual: 4,5%.
  • Taxa média de retorno anual: 10% para a carteira de um homem e 10,4% para a carteira de uma mulher.

Por que as mulheres investem melhor?

O principal motivo, de acordo com a Fidelity, está no fato de as mulheres mexerem menos na carteira. O estudo apontou que, em média, elas fizeram metade das compras e vendas de ativos que os homens. A professora da FGV, Myrian Lund, trabalhou como gestora de fundos durante a década de 1990, quando não conhecia nenhuma outra mulher na mesma atividade. Ela aponta: “O homem quer sempre o melhor investimento. Se alguém disser que um produto é o melhor, ele vai. A mulher, não”. Myrian explica que as trocas constantes nas carteiras ficam sujeitas a encargos que, no final das contas, atrapalham a rentabilidade.

Para a professora, o público feminino é menos impulsivo e competitivo. De acordo com ela, as mulheres se pautam mais por seus objetivos do que os homens e deixam os investimentos renderem. “A mulher pensa muito na família, nos filhos, no bem-estar de todos. Então, o próprio processo cultural influencia nisso.”

Liberdade

Após adquirir experiência trabalhando em bancos de investimentos, Júlia Abi-Sâmara fundou sua própria empresa: As Investidoras. Com atuação online, ela ensina educação financeira para mulheres. A empreendedora concorda que o público feminino é mais cauteloso: “Antes de investir, elas pensam bastante, pesquisam bem, porque querem entender melhor. Se vão vender um ativo, também querem compreender se é uma boa decisão ou não”.

Complementa: “Um dos pontos que eu levanto é que o dinheiro pode ter significados diferentes para as pessoas. E, para as mulheres, representa muito a questão da liberdade”, diz. Ela explica que ainda é comum a perspectiva de que as mulheres sempre dependerão de homens. Além disso, aponta o fato de questões econômicas influenciarem até em deixá-las presas a relacionamentos abusivos, seja com maridos, familiares ou mesmo em relações de trabalho. “O dinheiro é, muitas vezes, a ferramenta que encontram para conseguir sair dessas situações”, afirma Julia.

Autoconfiança e conhecimento

O relatório da Fidelity também apresenta uma pesquisa realizada com 2.400 americanos, que mostra como as mulheres costumam ter menos autoconfiança na hora de investir: apenas 40% delas afirmaram se sentir confortáveis com o que sabem sobre o assunto. A maioria costuma achar que precisa aprender mais para fazer seus primeiros aportes.

É exatamente essa a visão de Myrian Lund: “A mulher tem essa necessidade. Ela precisa entender o que está fazendo para poder investir”. A pesquisa norte-americana acrescenta que homens se arriscam mais com o conhecimento que têm, por outro lado, as investidoras tendem a ser mais consistentes nos aportes, sem tentar acertar muito o melhor momento para adquirir um ativo.

“Eu percebo essa insegurança nas minhas alunas e percebi também quando eu estava começando a investir”, relata Júlia. Ela relaciona esse medo com o fato de diversas mulheres crescerem com a ideia de que dinheiro e finanças são coisas para homens.

Júlia identifica que duas características surgem a partir da insegurança sentida por mulheres

• Um lado negativo: “Acontece quando isso trava a mulher e faz com que ela não dê o primeiro passo para começar a investir”.

• Um lado positivo: “A insegurança faz com que elas queiram estudar sobre o assunto. Consequentemente, isso reflete em uma carteira mais bem pensada, organizada para o longo prazo.”

Quantidade de mulheres na B3 cresce mais que a de homens

No Brasil, dados podem indicar que o cenário está em transformação: de acordo com o relatório XP Monitor, entre 2020 e 2021 a quantidade de homens cadastrados na Bolsa de Valores cresceu 18,5%, enquanto a de mulheres, 29,2%. No início de fevereiro, a B3 divulgou que 2021 foi encerrado com 1 milhão de mulheres cadastradas em renda variável, o que representa 24% do total de investidores.

Para a empreendedora Júlia Abi-Sâmara, o crescimento da participação feminina está relacionado à representatividade. Ela explica que, quando uma mulher vê outra no mercado financeiro, isso desperta seu interesse: “Se ela está falando sobre isso, então eu posso fazer também”. Myrian Lund complementa com a importância e a difusão da educação financeira: “Justamente porque as mulheres querem aprender. Quanto mais elas aprenderem, mais elas vão investir”

Casais que cuidam juntos das finanças brigam menos e ganham mais

Outro levantamento, este feito pelo banco UBS, conversou com 3.700 mulheres ao redor do mundo e identificou que 74% delas tiveram uma surpresa negativa, do ponto de vista financeiro, quando se divorciaram ou ficaram viúvas. Isso ocorre porque ainda é comum apenas os homens cuidarem do dinheiro no casamento. Entre as brasileiras, o número é maior: 93% passaram por problemas.

Por outro lado, o mesmo estudo mostra que, quando os casais cuidam das finanças juntos, eles brigam menos por dinheiro e 93% deles disseram cometer menos erros.

Assessoria de Investimentos

Na hora de investir, a melhor opção é contar com a parceria de um assessor – ou assessora. O trabalho desses profissionais não se limita a indicar bons ativos. Na verdade, é muito mais que isso: tudo é explicado em detalhes, para que cada cliente entenda o contexto de suas carteiras e da economia de forma geral. Dessa maneira, é possível tomar as decisões junto ao profissional.

Henrique Estela, responsável pelas projeções das carteiras deste texto, afirma que nas primeiras conversas com cada novo cliente, sempre pergunta qual é o nível de conhecimento da pessoa e o quanto está interessada em aprender. “É sempre um prazer contribuir com esse caminho do conhecimento.”

Por meio do trabalho feito pelos assessores, é possível investir com mais segurança e maior assertividade.

Texto: Boris Bellini

Edição: Priscilla Arroyo

Diagramação: Gabriela França

Conheça a SVN

A SVN Investimentos é um dos cinco maiores escritórios parceiros da XP. Com mais de R$ 10 bilhões de patrimônio sob custódia, reunimos uma equipe de especialistas para apoiar pessoas, famílias e empresas a criar um plano assertivo de investimentos. Atendemos clientes que tenham a partir de R$ 200 mil disponíveis para aportes.

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