RAIO-X DA PETROBRAS
(PETR3 E PETR4)

Pensando em investir ou está investindo na gigante estatal? Separamos tudo o que você precisa saber sobre a empresa que tem fundamentos sólidos e voltou a ser boa pagadora de dividendos

Introdução

Fundada na década de 1950, a Petrobras é uma das maiores produtoras de óleo e gás do mundo, tendo como atividade principal a exploração, produção, refino e geração de energia. 

A companhia produz a maior parte do petróleo e gás do Brasil, além de controlar ativos em 16 países na África, América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia. Seu destaque internacional foi ampliado devido a descoberta da camada do pré-sal entre os litorais de Santa Catarina e Espírito Santo.

A Petrobras é líder mundial na extração de óleo em águas profundas e ultraprofundas, o que reflete quase meio século de desenvolvimento das bacias offshore brasileiras. 

No entanto, em 2016, a sua crescente dívida passou a sufocar a empresa, que via os recursos para investimentos diminuindo à medida que eram direcionados para pagar juros. O problema foi colocado no centro do planejamento estratégico, ao lado do compromisso com desinvestimentos e realocação de recursos para ativos mais rentáveis. 

Os números mostram que a companhia fez a lição de casa. Com 15 meses de antecedência, a Petrobras bateu, no fim do ano passado, a meta de diminuição da sua dívida. Agora segue ajustando o foco para elevar os investimentos em ativos rentáveis. 

Neste material, vamos destacar os fundamentos da empresa que mostram a robustez da operação.

Boa leitura!

 

Índice

Ciclo Virtuoso 2020 - 2021

Não é segredo que o mundo atravessou importantes mudanças – tanto  nos negócios quanto na sociedade – na passagem de 2020 para 2021. O avanço dos programas de vacinação contra a Covid-19 arrefeceu a pandemia e abriu um novo horizonte para que economias e populações vislumbrassem esse “novo normal”, que ainda está sendo compreendido. 

Esse foi um período igualmente importante para Petrobras, considerado pelos analistas como um “ponto de virada” nos fundamentos da empresa. No fim do ano passado, a companhia atingiu – antecipadamente – a meta de diminuição da dívida, o que elevou a possibilidade de investimentos. Impulsionada também pelo cenário econômico, a Petrobras encerrou o ano passado com números robustos. 

Em 2021, a receita líquida avançou 66% em relação a 2020, e somou R$452,7 bilhões. O crescimento reflete a valorização do preço médio do barril de petróleo tipo Brent e do dólar.

As vendas de petróleo no mercado interno também contribuíram para o avanço. Em meio ao movimento de retomada da economia após o auge da pandemia em 2020,  Diesel e gasolina seguem como os produtos mais comercializados no Brasil. Juntos, responderam por 72% da receita nacional de vendas de derivados de petróleo no quatro trimestre do ano passado.

O lucro líquido da Petrobras em  2021 também deu um salto para  R$  106,7 bilhões – em 2020, foram R$  7,1  bilhões. Esse aumento expressivo  se deve principalmente à alta de 77% do preço do barril de petróleo tipo Brent (em reais) no período. Vendas no mercado interno e melhores margens de preço dos derivados de petróleo também contribuíram para o resultado. 

Mercado internacional: China se destaca

Em relação ao mercado internacional, a Petrobras segue na trajetória de diversificação e mantém a China como principal cliente – responsável por 38% do volume total de exportações. O tigre asiático comprador de 45% da gasolina exportada.

Dívida alcança patamar saudável

Em 2014, o endividamento da Petrobras ultrapassou os US$ 130 bilhões. Na prática, a companhia tinha uma despesa trimestral com credores de cerca de US$ 1,7 bilhão. Situação desafiadora. Alguns analistas chegaram a afirmar que essa bola de neve era impagável. 

A questão foi, então, colocada no centro da estratégia da companhia, que  estipulou como meta reduzir até o fim de 2022 a sua dívida bruta total (financiamentos e arrendamentos) para US$ 60 bilhões – montante considerado saudável para uma empresa do seu porte. Aos poucos, o esforço mostrou resultados. Em 2018, a dívida bruta havia diminuído para US$ 111 bilhões. 

Os esforços da administração se mostraram, de fato, eficientes. No terceiro trimestre do ano passado, com 15 meses de antecedência, a companhia logrou diminuir a sua dívida bruta para US$ 59,6 bilhões.

“A robustez da geração de caixa e a rápida redução do endividamento, auxiliado pelo plano de desinvestimentos, deixam a companhia em um novo patamar, com um balanço muito robusto”, aponta a Levante Corp, em relatório.

Mudança no comando

No fim de março, o então presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, foi demitido pelo governo, que indicou ao cargo Adriano Pires, atual diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).  Pires, no entanto, não aceitou o convite por entender que há conflito de interesses entre a sua atividade de consultoria e a cadeira de presidente da empresa. 

A União então indicou o químico José Mauro Coelho para assumir o cargo. Coelho fez carreira na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e também atuou no Ministério de Minas e Energia (MME) como secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis entre abril de 2020 e outubro de 2021. Atualmente, o executivo ocupava a presidência do conselho de administração da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

A escolha não entusiasmou representantes de investidores minoritários e nem foi criticada. A avaliação é que foi uma solução possível em ano de eleição.  

Reação do mercado – O fim do impasse em relação ao nome do próximo CEO agradou os investidores. Um dia depois do anúncio – em 7 de abril – as ações deram o maior salto em quatro meses: os papéis preferenciais (PETR4) – que têm prioridade na distribuição de dividendos – subiram 5,38%, cotados a R$ 34,10. As ações ordinárias (PETR3) – com direito a voto em assembleia – tiveram alta de 5,04%, a R$ 36,70. 

Mesmo depois desse salto, a cotação dos papéis ainda está bem abaixo do preço-alvo projetado por  analistas para o fim de 2022: R$47,80/ação (PETR4 e PETR3). O potencial de valorização da ação preferencial é de 40%. A seguir, vamos abordar em detalhes a análise de Fernando Ferreira, Estrategista-Chefe e Head do Research da XP, e sua equipe.

Vale a pena investir na Petrobras?

O aumento na produção do pré-sal é um dos principais argumentos da XP para embasar a indicação de compra da ação da Petrobras, de acordo com relatório assinado por Fernando Ferreira Estrategista-Chefe e Head do Research. “Projetamos uma taxa de crescimento anual composta da produção de petróleo da Petrobras no Brasil, de 2021 a 2026, de 4%. A companhia possui diversas reservas a serem exploradas na próxima década em projetos de alto retorno e baixo risco de execução”. 

Considerando o preço do papel preferencial (PETR4) no fechamento de 7 de abril, depois da forte alta que refletiu a indicação de José Mauro Coelho para a presidência, o potencial de valorização do papel (PETR4) é de 40% até o fim do ano – considerando o preço-alvo de R$ 47,80 apontado pela XP. 

Outro ponto positivo da empresa são os dividendos robustos (cerca de 23% de dividend yield para 2022). O pagamento de proventos reflete os fundamentos robustos da companhia. A nova política de pagamento de dividendos também agradou os investidores.

Riscos de investir na Petrobras

No entanto, nem tudo são flores. Analistas preveem alto potencial de volatilidade na cotação dos papéis à medida que as eleições se aproximam – e se acentuam as incertezas sobre quem será o novo presidente. 

Somado a isso, analistas apontam preocupação com o aumento do subsídio do preço dos combustíveis em meio à disparada na cotação do petróleo no mercado internacional como reflexo do conflito na Ucrânia. 

Na prática, esse subsídio poderia diminuir a margem de ganho dos produtos. “A situação está controlada em relação ao histórico da companhia –  entre 2011 e 2014. Entretanto, projetos de lei em curso podem desequilibrar a empresa novamente”, aponta relatório assinado por Andre Vidal Head Óleo, Gás e Materiais Básicos da XP. 

Vidal também destaca a possibilidade da Petrobras realizar investimentos acima do orçamento. “No entanto, consideramos menor probabilidade de isso ocorrer em comparação com o histórico”, escreve.

Dividendo de R$ 7,77 por ação

Um dos esforços da companhia para promover a diminuição da dívida foi a  suspensão da distribuição de dividendos entre 2015 e 2018. 

Os pagamentos retornaram em 2018 e crescem gradualmente. Após atingir a meta da dívida (em novembro de 2021), a companhia propôs uma nova política de pagamento de proventos que estabelece dividendo mínimo anual de US$ 4 bilhões para exercícios fiscais em que os preços médios do barril do petróleo tipo Brent se situarem acima de US$ 40/bbl.

Na sequência, a empresa anunciou o novo pagamento de remuneração ao acionista referente ao exercício de 2021, no montante de R$ 37,3 bilhões.

Os dividendos da companhia passam a ser distribuídos trimestralmente. Considerando os proventos já antecipados, a remuneração aos acionistas  relativa ao exercício de 2021 totaliza R$ 7,77 por ações preferenciais e ordinárias, representando um dividend yield de 27%, com base no valor de mercado em 31 de dezembro de 2020. 

Vale destacar que o valor considera a distribuição de dividendos complementares no valor de R$ 2,86 por ação, que acontecerá em 16 de maio. Ao todo, distribuição de proventos soma R$ 101 bilhões – de um lucro anual de R$ 106,6 bilhões.

Operação e reservas

A companhia conta com mais de 40 mil funcionários e tem cerca de 280 poços produtores e 29 plataformas marítimas em operação (pós-sal e pré-sal), líder mundial em exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas.

Em 2021, a Petrobras realizou a maior adição de reservas da história. Isso reflete especialmente a operação no campo de Búzios, onde a companhia adquiriu o excedente da cessão onerosa  -regime de contratação direta de áreas específicas da União para a Petrobras. Houve também aumento na recuperação em campos das bacias de Santos e Campos.

Campo de Búzios, uma joia na coroa da petroleira

O campo de Búzios, descoberto em 2010, é o maior campo de petróleo em águas profundas do mundo. Trata-se de um ativo de classe mundial, com reservas substanciais, baixo risco e baixo custo de extração. 

Situado a 180 quilômetros da costa brasileira, a mais de 5 mil metros de profundidade, o campo de Búzios tem área de 850 km², com espessuras de reservatórios de até 480 metros.

A operação responde por mais de 20% da produção total da Petrobras, e mais de 30% dos campos do pré-sal. Com mais de 45 poços perfurados, são retirados de Búzios, em média, mais de 50 mil barris de óleo por dia. Atualmente, o campo tem os seis poços com maior produção de petróleo do país.

A Petrobras projeta que o campo deve chegar ao final da década com a produção diária acima de 2 milhões de barris de óleo equivalente por dia, tornando-se o ativo com maior produção.

Confira a localização do campo de Búzios:

* DISCLAIMER

Este e-book tem como objetivo único informar os investidores sobre temas relacionados ao mercado financeiro. Com a iniciativa, a SVN visa contribuir com a educação financeira e facilitar o acesso à informação. As publicações devem ser compreendidas como material de educação e consulta, e não como recomendação de investimento.

Imagens: Agencia Petrobras

Texto e edição: Priscilla Arroyo

Diagramação: Gabriela França

Conheça a SVN

A SVN Investimentos é um dos cinco maiores escritórios parceiros da XP. Com mais de R$ 10 bilhões de patrimônio sob custódia, reunimos uma equipe de especialistas para apoiar pessoas, famílias e empresas a criar um plano assertivo de investimentos. Atendemos clientes que tenham a partir de R$ 200 mil disponíveis para aportes.

Comece a investir agora mesmo!

Comece agora mesmo a realizar seus objetivos financeiros com todo o suporte de um assessor de investimentos.

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos termos de uso e políticas de privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.