INVESTINDO COM

JUROS ALTOS

Como o aumento da taxa Selic influencia os investimentos em renda fixa

Introdução

Em março de 2021, havia sete meses que a Selic – taxa de juros básica da economia – estava em 2% ao ano. Porém, a inflação avançava em ritmo acelerado tanto no Brasil quanto em outras economias e os juros são o principal instrumento dos bancos centrais para conter processos inflacionários. Com isso, eles começaram a subir e um ano depois – em março de 2022 – o mesmo indicador atingiu 11,75%.

De um lado, a alta de juros encarece a tomada de crédito por pessoas físicas e empresas. De outro, diversos ativos de renda fixa passam a oferecer remunerações mais atrativas – afinal, muitos utilizam a Selic como referência para a remuneração dos investidores.

Também é possível analisar a Bolsa de Valores sob essa perspectiva, porém, este material visa oferecer informações sobre como a renda fixa é impactada pela alta da Selic – afinal, este é considerado um bom momento para a classe que concentra ativos com maior segurança aos investidores.

Mesmo quando encontrar ótimas oportunidades para aplicar recursos, lembre-se sempre de consultar o assessor de investimentos. Com o auxílio de especialistas é possível não só conhecer os melhores ativos, mas, principalmente, as opções ideais para cada investidor.

Bons investimentos!

Índice

Alta de preços: o começo de tudo

Inflação é o termo que se refere a alta dos preços e serviços de determinada região, um processo calculado por instrumentos como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. O mundo iniciou 2022 com processos inflacionários em diferentes mercados, na esteira de consequências da pandemia de covid-19.

Ainda em fevereiro, começou o conflito na Ucrânia, responsável por mais pressão no cenário dos preços, com aumentos principalmente nas cotações de commodities relacionadas a alimentação e energia. Em março, o acumulado de 12 meses da inflação no Brasil atingiu 10,79%. Já nos Estados Unidos, o último dado similar é referente a fevereiro, quando foi registrada alta acumulada de 7,9%, a maior em 40 anos.

A inflação no Brasil pauta o trabalho do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O órgão é responsável pela Selic, a taxa básica de juros do país. Trata-se de um dos principais instrumentos de controle da inflação – quando os preços sobem, a taxa é elevada para dificultar o crédito, frear o consumo e arrefecer o avanço inflacionário. Já quando a inflação é considerada sob controle, ou mesmo em baixa, a autoridade monetária pode manter ou reduzir a Selic, o que tende a estimular o consumo.

No início de março, o Copom reajustou a taxa de juros para 11,75% ao ano. De acordo com estimativas do mercado, registradas no Relatório Focus, de 25 de março, a Selic deve subir ainda mais e encerrar 2022 em 13%.

Todo esse cenário impacta os investimentos de diferentes maneiras – na renda fixa, há vários aspectos positivos. Para entender melhor, é preciso antes falar um pouco mais sobre juros.

Juro real e juro nominal

Como a inflação é uma medida do aumento de preços de produtos e serviços na sociedade, ela demonstra o quanto a população perde do seu poder de compra, já que se torna necessário gastar mais dinheiro para manter o padrão de consumo.

Uma situação similar pode ser observada nos investimentos: a inflação consome uma parte dos rendimentos dos ativos. Vamos supor que, em março, um advogado chamado João obteve 12% de rendimento no acumulado de 12 meses de um dos seus ativos. Esse ganho se refere ao chamado juro nominal, diferente do juro real. Para conhecer o segundo, é necessário descontar a inflação dos rendimentos:

12% – 10,79% = 1,21%

Um investimento que rende 12% em um ano pode ser considerado bom, mas, com a inflação em alta, no caso do exemplo, o ganho real seria de apenas 1,24%. Isso ocorre, porque 10,79 pontos percentuais são necessários para apenas cobrir as perdas da inflação.

Bom momento para a renda fixa

Não há indicações de que a inflação continue em dois dígitos daqui para a frente. No Relatório Focus de 25 de março, foi projetado resultado de 6,86% para o IPCA deste ano.

Ao realizar uma aplicação em renda fixa, o investidor sabe desde o início qual será a sua remuneração. Os retornos oferecidos pelos ativos costumam usar índices da economia como referência, sendo os principais: Selic, IPCA e CDI. 

Se o investidor escolhe um título baseado no IPCA, ele pode ter segurança de não perder dinheiro para a inflação. Há opções que oferecem o resultado do IPCA mais uma porcentagem fixa e, assim, desde o início é possível conhecer os juros reais. Outros títulos podem oferecer uma porcentagem da Selic, às vezes, maior que 100%. Em tempos de juros altos, essa também pode ser uma opção atrativa para investidores.

O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é um tipo de empréstimo específico que bancos realizam uns aos outros. O termo também nomeia uma taxa calculada a partir da média de juros cobrados nessas operações, divulgada pela B3 como “taxa DI” – seu valor costuma ser próximo ao da Selic.

Investimentos em renda fixa

Os títulos de renda fixa possuem diferentes objetivos, níveis de risco, emissores, rentabilidades e prazos de investimento. Como exemplos de ativos, podemos destacar: Tesouro Direto, Debêntures, CDB, LCI, LCA, CRI e CRA.

Tesouro Direto

O Tesouro oferece títulos públicos emitidos pelo Governo Federal. Isso significa que, ao aplicar nessa classe, se empresta dinheiro ao governo do Brasil. Na outra ponta, o investidor recebe juros como pagamento pelo empréstimo.

Além do retorno conhecido desde o início, o Tesouro Direto também oferece o chamado risco soberano. Significa que o investidor só perde dinheiro em caso de falência do país. Há especialistas que apontam os títulos públicos como os investimentos mais seguros do mercado financeiro nacional.

Existem três modalidades de Tesouro Direto, de acordo com a remuneração:

• Tesouro Prefixado: oferece porcentagem de retorno fixa.

• Tesouro Selic (pós-fixado): rende o mesmo que a taxa de juros no período mais uma porcentagem predeterminada.

• Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais (híbridos): uma parte da remuneração é pós-fixada, de acordo com o índice da inflação, e a outra é uma taxa fixa. Pode ser, por exemplo, IPCA + 5,18%.

Debêntures

Empresas também podem emitir dívidas por meio de ativos chamados Debêntures. Assim como no caso dos títulos públicos, o investidor empresta dinheiro e recebe uma remuneração por meio de juros. Os recursos podem ser usados pelas companhias para financiar projetos de expansão, por exemplo, com condições mais interessantes do que as encontradas em empréstimos bancários.

Os prazos para pagamento costumam ser longos – entre 5 e 10 anos. Os retornos oferecidos podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos. Parte dos rendimentos é tributada de acordo com a tabela progressiva do Imposto de Renda e, em alguns casos, também pode haver cobrança de IOF. A tributação é explicada adiante em tópico específico sobre o assunto.

Existem ativos isentos de IR: as debêntures incentivadas. Nesses casos, os valores são utilizados para financiar obras de infraestrutura do país.

CDB

As instituições financeiras têm um caminho próprio para emitir dívidas: o Certificado de Depósito Bancário (CDB). Seu funcionamento é similar ao das Debêntures, porém, neste caso, o investidor empresta dinheiro a um banco. A taxa de retorno também costuma ser baseada no CDI – em alguns casos, é oferecido pagamento acima de 100% da taxa.

O investimento é tributado pelo IR de acordo com a tabela regressiva. Além disso, aplicações de até R$ 250 mil são protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – também explicado com mais detalhes adiante.

LCI E LCA

Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito Agrícola (LCA) também são títulos emitidos por instituições financeiras. A diferença em relação ao CDB é que, neste caso, o dinheiro é utilizado para realizar empréstimos aos setores que nomeiam cada ativo. Como estímulo para promover crédito imobiliário e agrícola, o governo isenta os ativos do pagamento de Imposto de Renda. As Letras também são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

CRI E CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA) também são uma forma de direcionar crédito a esses setores, porém, por meio de securitização. Ou seja, uma empresa que tenha alguma relação com o meio imobiliário ou com o agronegócio, pode transformar em crédito uma dívida que tenha a receber, como parcelas de financiamento ou aluguéis, por exemplo. Os recebíveis se tornam papéis negociados no mercado de renda fixa e oferecem juros aos investidores que os adquirem.

Tributação

A maior parte dos investimentos de renda fixa são tributados de acordo com a tabela progressiva do Imposto de Renda, em que as alíquotas diminuem conforme o tempo em que o dinheiro permanece investido. A cobrança incide apenas sobre o rendimento da aplicação e o pagamento ocorre no momento do resgate.

Tempo de investimentoAlíquota
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Após 720 dias15%

Vale lembrar que há investimentos isentos, como Debêntures incentivadas, LCI, LCA, CRI e CRA.

Ativos de renda fixa também podem ficar sujeitos ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas há uma diferença importante: o IOF só é cobrado em resgates feitos menos de um mês após a aplicação. Quando isso ocorre com apenas um dia de investimento, 96% dos rendimentos são destinados ao imposto. A alíquota diminui até 3% para 29 dias de aplicação e, a partir de 30 dias, não há mais pagamento de IOF.

Fundo Garantidor de Crédito - FGC

O mercado financeiro tem mecanismos de segurança, como o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma organização privada, sem fins lucrativos, responsável por indenizar investidores. Os valores são pagos quando uma pessoa adquire um título emitido por determinada instituição financeira e ela vai à falência. As indenizações são limitadas a R$ 250 mil por CPF.

Vantagens

A renda fixa é considerada mais segura que a renda variável, afinal, os preços dos ativos não ficam sujeitos aos mesmos solavancos do mercado. Além disso, conforme explicado, há títulos com risco soberano e outros cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito.

Geralmente, quando os investidores partem para a renda variável, é porque abrem mão de um nível maior de segurança em busca de ganhos maiores. Porém, como a taxa de juros está em 11,75% ao ano – e há expectativas de que aumente ainda mais – a renda fixa passa a oferecer uma união entre rendimento e segurança que pode ser muito interessante aos investidores.

* DISCLAIMER

A SVN elaborou este material com o intuito de apenas informar os clientes e interessados sobre os movimentos do mercado financeiro. As informações aqui contidas – de caráter informativo – não se traduzem em indicação de investimentos. Antes de realizar qualquer aporte, recomendamos a consulta a um assessor de investimentos. Esses profissionais podem avaliar os objetivos e o perfil de cada cliente para indicar a melhor estratégia. As decisões de investimentos serão realizadas sempre pelo investidor.

Texto e revisão: Boris Bellini

Diagramação e Design: Gabriela França

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