SMALL CAPS: INVISTA EM AÇÕES QUE
PODEM IMPULSIONAR SEUS RENDIMENTOS
Empresas com menor valor de mercado podem ter alta valorização das ações.
Introdução
Quando o investidor decide diversificar parte de sua carteira com ações da Bolsa de Valores, geralmente, ele está interessado em abrir mão de um nível mais alto de segurança em troca de possibilidades maiores de ganho. Esse conceito está ligado ao investimento em small caps.
O termo se refere a ações de empresas listadas em Bolsa com menor valor de mercado. Destinar parte do capital a elas pode ser um pouco mais arriscado, mas as possibilidades de ganho podem ser maiores. Pense nas gigantes americanas Apple, Microsoft e Amazon. As três já foram small caps – então, quem comprou os papéis na época e esperou sua valorização, pôde ter ótimos ganhos de capital.
Neste texto, você entenderá melhor o que é uma small cap, quais são suas características, os riscos, e vai conhecer até um índice da B3 voltado a elas. Por fim, apresentamos exemplos de empresas recomendadas por analistas da XP e da Levante.
Aproveite as informações para conversar com seu assessor e entender como as small caps podem se relacionar com a sua carteira de investimentos.
Boa leitura!
Índice
O que é uma small cap?
“Small Caps” é um termo que se refere ao valor de mercado de uma empresa – também chamado de capitalização. Não existe um consenso sobre o quanto vale uma companhia desse tipo, mas, de acordo com dados da XP Research, números entre R$ 4 e 6 bilhões costumam ser considerados como máximos.
Ainda assim, o time da XP produz uma carteira de investimentos em small caps, onde considera companhias com capitalização de até R$ 10 bilhões. De uma forma mais geral, empresas desse segmento possuem valor de mercado abaixo das “Blue Chips”, as grandes companhias listadas na Bolsa de Valores.
Uma empresa pode ser líder em seu segmento de atuação, porém, ter um baixo valor de mercado – por tanto, uma small cap. É importante ter em mente que companhias menores também costumam ser menos negociadas na Bolsa e, consequentemente, a liquidez de suas ações tende a ser menor.

Vantagens de investir em small caps
Investidores que se interessam por empresas menores costumam acreditar em seu potencial de crescimento. Conforme a companhia cresce, suas ações tendem a valorizar e, com o tempo, ela também pode pagar bons dividendos.
Um dos dados para analisar em small caps é o upside de suas ações – ou seja, o potencial de alta que analistas projetam para determinado ativo, geralmente expresso em porcentagem.
Fique de olho nos riscos!
Aproveitar a possibilidade de crescimento de uma companhia e ganhar com a valorização de suas ações pode ser uma estratégia interessante para diversos investidores. Porém, é importante redobrar os cuidados! O time da XP Research também destaca que esse tipo de empresa costuma ter menos tempo de mercado. Com isso, pode haver menos informações disponíveis para análise. Small caps podem não crescer ou até mesmo falir.
Índice Small Cap (SMLL B3)
O Ibovespa é um dos índices mais conhecidos da Bolsa de Valores. Sua função é refletir o desempenho médio de todas as empresas listadas na B3. Porém, existem outros, mais específicos, como o Small Cap, também conhecido pela sigla SMLL.
Como seu nome sugere, o índice busca refletir o desempenho das small caps brasileiras. O SMLL é formado por uma carteira teórica de empresas com valor de mercado baixo. Para integrar a seleção de ações, a companhia precisa ter um grupo de características definido pela B3, das quais podemos destacar:
- As empresas devem somar, juntas, 15% dos valores de capitalização de todas as listadas na Bolsa;
- Para compor a carteira teórica também é necessário que a ação tenha sido negociada em todos os pregões dos últimos 12 meses.
Empresas selecionadas por analistas

A XP produz uma carteira recomendada totalmente voltada ao segmento: é a Top Small Caps XP, assinada por Fernando Ferreira, Estrategista-Chefe e Head do Research da empresa. Dedicada a análises de mercado, a Levante também produz conteúdo sobre empresas menores, como a Carteira Mensal de Small Caps, que conta com o trabalho da equipe de Equity Research e inclui o Head de Análises, Bruno Benassi.
Cada uma dessas carteiras é formada por oito empresas selecionadas mensalmente. Para exemplificar este material, separamos cinco, sendo três da Levante (3R Petroleum, Panvel e Petz) e duas da XP (Bemobi e Iguatemi).
3R Petroleum (RRRP3)
Preço atual (25/04): R$ 43,36
Preço-alvo para 2022: R$ 56,00
Valor de mercado: R$ 4,4 bilhões
A 3R Petroleum é uma empresa do setor de óleo e gás com atuação em diferentes campos onshore e offshore – terrestres e no mar. Além disso, a companhia possui qualificação de operadora A, que se traduz na possibilidade de explorar águas profundas e ultraprofundas, como o pré-sal.
A equipe da Levante explica que, a partir dessas características, a 3R Petroleum busca aumentar sua produção tanto de forma orgânica quanto inorgânica. Ou seja, campos próprios da empresa seguem sendo explorados ao mesmo tempo em que ela adquire ativos maduros de outras companhias. No consolidado de 2021, a RRRP3 atingiu receita líquida de R$ 727,8 milhões, aumento de 256% em comparação com o ano anterior.
Quando os resultados do 4º trimestre de 2021 foram divulgados, em fevereiro, o analista Bruno Benassi produziu um relatório explicando que a 3R Petroleum já contava com mais seis ativos em transição para o seu portfólio e, com isso, há expectativa de que a produção fique cinco vezes maior do que foi em 2021.
Em 1º de abril, quando a carteira do mês foi divulgada, suas ações eram negociadas na casa dos R$ 42. Para a Levante, esse preço não reflete o potencial de crescimento dos campos que a empresa já possui – algo que se mantém válido mesmo se a cotação do petróleo cair para o patamar de US$ 70 por barril.

Panvel (PNVL3)
Preço atual (25/04): R$ 12,19
Preço-alvo para 2022: R$ 22,00
Valor de mercado: R$ 2,0 bilhões
Panvel é o nome da rede de farmácias controlada pelo Grupo Dimed, fundado há mais de 100 anos. Esse é o principal negócio da empresa, que ainda possui duas frentes de atuação secundárias: a distribuidora de medicamentos e perfumarias Dimed e o laboratório Lifar. O relatório da Levante avalia o segmento de higiene pessoal e medicamentos em franca expansão, o que reflete o envelhecimento da população brasileira e o crescimento da renda das pessoas.
Além das condições favoráveis no mercado, o Grupo Dimed também separa recursos para financiar a expansão. No 4º trimestre de 2021, a companhia realizou o maior investimento de sua história, chegando aos R$ 135 milhões – 60% acima de 2020. As vendas no varejo cresceram e o lucro bruto da empresa ficou em R$ 273 milhões no mesmo período, uma alta de 28,4% na comparação com o último trimestre do ano anterior.

Petz (PETZ3)
Preço atual (25/04): R$ 15,86
Preço-alvo para 2022: R$ 30,00
Valor de mercado: R$ 7,3 bilhões
Investir em empresas que você conhece e gosta é uma ideia que costuma aparecer no mercado financeiro. Essa situação pode ser mais fácil em relação à Petz, companhia definida pela Levante como a plataforma de soluções para animais de estimação mais abrangente do Brasil.
Não é para menos, a PETZ3 conta com a maior rede do país de centros veterinários e estética para os bichos, um programa de adoções e 133 lojas distribuídas em 15 estados brasileiros e no Distrito Federal. Além disso, os analistas da Levante apontam que o mercado de atuação da empresa é muito fragmentado, o que possibilita o aumento de sua participação, tanto por crescimento orgânico quanto por meio de aquisições.
Além do desempenho das operações físicas, o time de Bruno Benassi destaca um crescimento expressivo também para os canais digitais. A operação inclui um app que, na visão dos analistas, vem se consolidando trimestre após trimestre como o principal meio para vendas online.
Por fim, a Petz também conseguiu preservar suas margens de lucro com reajuste de preços, afinal, 80% das vendas são de itens indispensáveis, como rações. Com isso, no 4T21, a receita bruta total foi de R$ 694,4 milhões, o que representa crescimento de 32,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Levante aponta que, se manter o atual ritmo de crescimento, a empresa dobrará de tamanho em menos de dois anos.

Bemobi (BMOB3)
Preço atual (25/04): R$ 14,88
Preço-alvo para 2022: R$ 35,00
Valor de mercado: R$ 1,50 bilhões
Talvez você já tenha usado algum produto da Bemobi, mas não soube disso. A empresa desenvolve soluções para a distribuição de serviços digitais em celulares. Ou seja, seus produtos são oferecidos para outras companhias e, então, repassados ao usuário final com a identidade visual do cliente da Bemobi. Esse tipo de negócio é conhecido como B2B2C – ou, Business-To-Business-To-Consumer.
Brasileira, a companhia foi fundada em 2009 e, atualmente, atua em 42 países, atingindo 2,5 bilhões de usuários por meio de 88 operadoras de telefonia móvel. A Bemobi também iniciou uma expansão de suas parcerias para segmentos como fintechs, marketplaces e carteiras digitais (wallets). A empresa ainda conta com uma plataforma proprietária chamada Loop que, com a ajuda de algoritmos, é capaz de gerar ofertas personalizadas aos usuários.
As soluções desenvolvidas pela BMOB3 englobam assinatura de aplicativos e jogos, serviços de recados de voz, soluções anti-spam e adiantamentos de saldo pré-pago, de pacotes de dados ou até mesmo de chamadas. Ela também desenvolve plataformas automáticas para gerir campanhas, ofertas, canais de venda e pagamentos digitais, além de soluções para análise de dados para crédito e detecção de risco de fraude.
O relatório da XP ressalta o bom desempenho das ações BMOB3 em março, impulsionadas principalmente pela entrega de resultados do 4T21 – já incluindo companhias que foram adquiridas recentemente. Para a XP Research, liderada por Fernando Ferreira, ela está bem posicionada no mercado de serviços móveis – atualmente em franca expansão nos países em desenvolvimento, de acordo com o relatório.
A equipe ainda destaca o fato de que novas oportunidades de crescimento podem aparecer para a Bemobi por meio de fusões e aquisições. Dessa maneira, as projeções de ganhos das ações, que já são boas, podem ser reavaliadas para cima. Vale ressaltar que, ao considerar os R$ 14,88 por ação e o preço alvo de R$ 35, estamos falando de um upside na casa dos 135% ainda neste ano.

Iguatemi (IGTI11)
Preço atual (25/04): R$ 20,48
Preço-alvo para 2022: R$ 28,00
Valor de mercado: R$ 5,6 bilhões
A Iguatemi é uma empresa dona de shoppings centers focados nas classes A e B, com atuação nas regiões sul, sudeste e centro-oeste. Seus empreendimentos envolvem dois outlets premium, três torres corporativas e 14 shoppings centers – como o Iguatemi São Paulo, na Av. Faria Lima, e o Praia de Belas, em Porto Alegre.
Os especialistas da XP apontam o foco nas classes A e B como uma das características positivas do investimento, devido ao maior poder de consumo desses grupos. Assim, a IGTI11 fica bem posicionada para uma recuperação mais rápida no atual – e desafiador – cenário pós-pandêmico.
O time de Fernando Ferreira também aponta o trabalho da companhia em desenvolver projetos multiuso no entorno de seus shoppings. O intuito é aproveitar a sinergia entre os novos empreendimentos e os centros de compras.
De acordo com o relatório, há diversas oportunidades de crescimento para a empresa em frentes como novos shoppings, expansão dos empreendimentos, torres corporativas e incorporação imobiliária. Além das operações físicas, a companhia também conta com a plataforma de comércio eletrônico Iguatemi 365, que possui bons números operacionais e, para a XP Research, deve continuar a impulsionar uma parte do crescimento de IGTI11.
* DISCLAIMER
Este e-book tem como objetivo único informar os investidores sobre temas relacionados ao mercado financeiro. Com a iniciativa, a SVN visa contribuir com a educação financeira e facilitar o acesso à informação. As publicações devem ser compreendidas como material de educação e consulta, e não como recomendação de investimento.
Texto: Boris Bellini
Edição: Priscilla Arroyo
Diagramação: Gabriela França
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