Simulador
Poupança x Inflação

O que é a poupança?

Poupança, ou a caderneta de poupança, é um tipo de conta bancária usada pelo correntista para guardar dinheiro e receber uma rentabilidade por isso. A poupança pode ou não estar vinculada a uma conta corrente. 

Como funciona a poupança?

Como aplicação de renda fixa acessível para o público em geral – inclusive menores de idade com respaldo do pai, mãe ou responsável legal – esse ainda é o tipo de investimento mais popular do Brasil. No entanto, a caderneta vem perdendo espaço para outras opções de Renda Fixa que oferecem melhor rentabilidade e têm a mesma segurança que a modalidade. 

Como surgiu a poupança?

A poupança surgiu em 1861, criada por Pedro II junto com a Caixa Econômica da Côrte (hoje, a Caixa Econômica Federal). O decreto do imperador estabeleceu que o banco iria “receber, a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas”. O objetivo era garantir o direito às pessoas manterem as economias em segurança de uma maneira acessível. 

Conhecida no país como “caderneta de poupança”, o termo reflete a maneira como o controle dessas contas era feito. Os funcionários da Caixa Econômica usavam cadernos pequenos – ou cadernetas – para fazer as anotações sobre a movimentação –  desde o dinheiro poupado até os detalhes dos juros recebidos.

Nos anos 1960, a poupança adquiriu papel importante no financiamento imobiliário”. A partir de 1964, com o sistema de correção monetária, o poupador passou a receber a correção mais juro de 0,5% ao mês (algo próximo à Taxa Referencial).

Por ser uma opção segura e com liquidez (o dinheiro pode ser sacado a qualquer hora), a poupança ainda é a queridinha de muitos brasileiros. No entanto, esse cenário está mudando. Diante do aumento da inflação, a rentabilidade da poupança tem ficado negativa. Na prática, o dinheiro depositado nesse tipo de conta perde o poder de compra com o passar do tempo. 

Liquidez e garantias

A poupança tem liquidez diária, ou seja, o resgate dos recursos pode ser feito  a qualquer momento, sem burocracia. Como a poupança tem a mesma rentabilidade em todos os bancos, a escolha da instituição pode ser feita pelo quesito “confiabilidade”: em geral, bancos maiores têm menos chances de quebrar. Ainda assim, se a instituição escolhida pelo poupador para guardar os recursos vier a falir, montantes até R$ 250 mil são ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). 

Vale destacar que a garantia do FGC se dá pelo  CPF e pela instituição financeira. Então, se o investidor tiver uma poupança e também aplicações em CDBs de um banco que apresentar problemas, a garantia de R$ 250 mil valerá para todas as aplicações somadas.

Rendimento da poupança

O rendimento da poupança está diretamente ligado à taxa Selic – a  taxa básica de juros da economia brasileira, definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. 

Quem costuma ler sobre investimentos já deve ter se deparado com o termo “poupança velha” e “poupança nova”.  Essa diferenciação reflete a mudança nas regras de rentabilidade da modalidade, que mudaram em 2012 com a promulgação da Lei 12.703. Desde então, o rendimento varia conforme o patamar em que se encontra a Selic:

Se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), calculada a partir das médias das taxas dos CDBs prefixados, emitidos por 30 instituições financeiras e que em maio de 2022 estava em 0,16%;

Se a Selic estiver igual a ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será equivalente a 70% da Selic mais a variação da TR.

Essa regra vale para os depósitos feitos a partir do dia 4 de maio de 2012 – ou seja, essa é a poupança nova. Os poupadores que mantém cadernetas mais antigas “poupança velha” continuam recebendo rendimentos de 0,5% ao mês mais a variação da TR.

Os bancos são obrigados a usar ao menos 65% dos recursos aplicados nas  cadernetas de poupança para a concessão de financiamentos imobiliários. 

Lembre-se: quem possui um valor acima de R$140,00 na poupança, deve declará-lo  no IR (mesmo que a modalidade seja livre do imposto).

Como a inflação impacta a poupança?

A inflação, ou o aumento generalizado de preços, impacta diretamente no custo de vida, uma vez que quanto maior os preços, mais dinheiro é necessário para comprar  a mesma quantidade de coisas.

Na prática, o dinheiro perde valor ao longo do tempo, impactando a rotina e os investimentos. Mesmo com a taxa de juros passando por consecutivas elevações  (em maio de 2022, a Selic estava em 12,75%), a inflação alta corrói a rentabilidade da poupança. 

Inflação em alta: rentabilidade negativa 

Com a inflação em alta, a caderneta de poupança passa a render cada vez menos – ou até mesmo tem retorno negativo. Por isso, os investidores que mantêm grande parte dos seus recursos lá provavelmente estão, na prática, perdendo dinheiro. 

Para traduzir essa conclusão em números, basta descontar a inflação da rentabilidade da poupança. Dessa maneira, o investidor confere o ganho real da aplicação (já com desconto da inflação). 

Observe o rendimento da poupança anual nos últimos anos ao lado da inflação oficial medida  IPCA:

(entra tabela)

Ano

Rendimento da poupança

Inflação (IPCA Acumulado)

2022

6,16%

10,38%

2021

5,43%

10,06%

2020

2,11%

4,52%

2019

4,26%

4,31%

2018

4,62%

4,20%

Fonte: XP, IBGE. Dados coletados até fev/2022. 

Considerando só os dados de 2022 (até fevereiro), enquanto a poupança rendeu 6,16%, a inflação acumulada foi de 10,38%. Isso significa uma perda no poder de compra de 4,22%. Ou seja, a poupança está oferecendo rendimentos abaixo da inflação.

Essa perda não é de hoje. No ano passado, por exemplo, enquanto a poupança rendeu 5,43%, a inflação calculada pelo Índice de Produtos ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 10,38%. Ou seja, o dinheiro parado na poupança nesse período perdeu 4,63% de poder de compra. 

Desvantagem da poupança

Andreia, uma antiga fã da poupança, decidiu empreender. Para isso, ela economizou R$ 1.666 durante durante todos os meses de 2020. Em janeiro do ano passado, ela colocou os R$ 20 mil que tinha conseguido guardar na poupança.

A poupadora tinha certeza que as suas economias estariam “salvas” no lugar que considera seguro. Mas na verdade, ela fez umas contas e descobriu que tinha perdido dinheiro.

Quem começou 2021 com R$ 20 mil na poupança, terminou dezembro com R$ 21.086. Mas para comprar os mesmos itens para começar o seu negócio, Andrea descobriu que precisava de R$ 22.076. Na prática, ela perdeu R$ 990 em poder de compra. 

Quando se deu conta da perda real, ela prometeu para si mesma que a partir daquele momento iria valorizar mais os seus recursos e começou a pesquisar outras opções de investimentos da Renda Fixa, tão seguras quanto a poupança e que protegem o seu poder de compra.

A história da Paula é a mesma de muitos brasileiros, que por descuido ou comodidade, acabam deixando paradas grandes quantias de dinheiro na poupança – e estão perdendo dinheiro. Em 2021, a poupança era opção para 23% das pessoas que investem. 

ARTE: em que o brasileiro investe

(Foto de uma investidora mexendo no computador, abaixo dados com os números em destaque).

Em que os brasileiros investem

23% – Caderneta de Poupança

3% – Fundos de Investimento

2% – Títulos Privados

3% – Títulos Públicos (via Tesouro Direto)

2% – Ações na Bolsa de Valores

2% Moedas Digitais 

 Fonte: Anbima

Os números acima fazem parte da 5ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro, realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). 

A pesquisa coletou dados de 5.878 pessoas, das quais 44% disseram que a principal vantagem de investir é formar uma reserva. O segundo maior motivador é o retorno, mencionado por 23% deles.

A boa notícia é que mesmo os investidores que ainda dão preferência para a poupança  podem alcançar rentabilidades melhores ao escolher opções tão seguras quanto a poupança (que como vimos acima tem entregado rendimento real negativo). Abaixo, vamos listar algumas dessas alternativas.  

Para proteger as economias de serem corroídas pela inflação, o investidor pode acessar diversos outros tipos de investimentos tão seguros quanto a poupança  e que oferecem rentabilidade positiva. 

Quanto custa sacar dinheiro da poupança?

No caso de pessoa física, nada. Já se o saque for realizado em uma conta pessoa jurídica, a tributação é de 22,5% sobre os rendimentos (ou seja, não recai sobre o valor aplicado inicialmente).

Os saques e depósitos são solicitados pelo correntista. O poupador deve tirar o dinheiro da conta corrente do banco e transferi-lo para a conta poupança para obter a rentabilidade prevista na modalidade. Também é possível fazer depósitos diretamente na conta poupança.

Em relação ao saque, o processo é o mesmo. É possível solicitar o resgate do valor a qualquer momento e o dinheiro será depositado na sua conta do banco.

Vale a pena investir na Poupança?

Por muito tempo, a poupança foi a única opção de investimento para uma enorme parcela da população. Em geral, os produtos financeiros não estavam ao alcance dos brasileiros. Nas últimas duas décadas, no entanto, o mercado se modernizou – e essa situação mudou bastante.

A poupança continua sendo uma aplicação sem burocracia. Não exige uma grande reflexão – basta transferir os recursos da conta corrente para a caderneta. Por não prever aplicação mínima, é uma alternativa para quem tem pouco dinheiro para investir. E como não envolve custos e tem garantia do FGC, pode ser uma opção para quem está começando a se organizar financeiramente.

A rentabilidade, no entanto, é muito baixa – e o ganho real, próximo de zero ou até negativo. Isso deve ser considerado na hora de avaliar onde investir. Algumas outras aplicações de renda fixa com risco equivalente ao da caderneta oferecem uma remuneração mais alta e, portanto, mais chance de preservar o poder de compra no futuro.

4 investimentos que tendem a render mais que a poupança

Existem diversos outros investimentos de renda fixa que podem render mais do que a poupança. Ainda que envolvam riscos diferentes, eles podem ser atenuados. Selecionamos quatro alternativas: CDBs, LCIs e LCAs, títulos públicos e fundos de renda fixa. 

1- CDB

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um tipo de investimento de renda fixa cuja rentabilidade está atrelada à taxa Selic. Ao adquirir um título dessa modalidade, a pessoa empresta dinheiro ao banco emissor e, ao final do contrato, recebe a quantia de volta com juros. A rentabilidade é vinculada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que acompanha de perto a taxa básica de juros brasileira

Os rendimentos dos CDBs são tributados no Imposto de Renda de acordo com a tabela regressiva, de 22,5% a 15%. O CDB, assim como a poupança, possui a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – organização privada, sem fins lucrativos, que visa a proteção de instituições financeiras e de investidores contra crises bancárias sistêmicas. O valor total coberto é de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

 

2- Tesouro Direto

O Tesouro Direto é formado por títulos públicos emitidos pelo Governo Federal – o investidor empresta dinheiro para o governo e recebe juros de remuneração pelo empréstimo. Esses títulos oferecem rentabilidade superior à poupança e são tão seguros quanto, pois têm risco soberano. Isso porque o investidor só perde o dinheiro caso o país entre em falência. 

 

Há três modalidades no Tesouro Direto: 

 

prefixados – Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais; 

pós-fixados – Tesouro Selic; 

híbridos – taxa fixa + variação, como Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.

 

Entre as taxas cobradas nestes títulos, estão a tarifa de custódia paga à B3, que organiza o sistema do Tesouro Direto e a de administração de banco ou corretora que faz a intermediação das operações. O investimento também inclui o pagamento de IR na tabela regressiva: 22,5% a 15% .

 

3- LCI e LCA

Letra de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letra de Crédito Agrícola (LCA) são títulos emitidos por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. Trata-se de um investimento de renda fixa com lastro nos setores que os nomeiam. Ao investir nessa categoria, o investidor incentiva a atividade agropecuária e/ou imobiliária, segmentos que incentivam o desenvolvimento do País – por isso, os títulos têm isenção de Imposto de Renda (IR). 

 

Semelhantes aos CDBs, as letras de crédito pós-fixadas são comuns de serem encontradas no mercado.

 

4- Debêntures

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. O investidor pode adquirir esses papéis e ser recompensado por isso. As companhias, por sua vez, usam os recursos para financiar projetos. Costumam ter um vencimento mais longo que outros produtos de renda fixa – de cinco até dez anos -, podendo ter retornos prefixados, pós-fixados e híbridos.

 

O investimento é tributado pela tabela regressiva do IR – de 22,5% a 15%. Porém, as debêntures incentivadas, usadas para captar recursos para a realização de grandes obras de infraestrutura no país, são isentas da alíquota.

 

5- CRI e CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRA) incluem securitização, ou seja, transforma direitos de crédito – parcelas de um financiamento imobiliário ou o pagamento de aluguéis mensais, por exemplo – em papéis negociados no mercado financeiro. Ao comprar um CRI ou CRA, o investidor recebe juros como remuneração.

 

A escolha do tipo de investimento deve refletir fatores como a disposição para a tomada de risco de cada investidor e os objetivos a serem alcançados com os aportes. Para realizar um planejamento de investimentos assertivo, entre em contato com um dos assessores da SVN.